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terça-feira, 5 de novembro de 2013
domingo, 3 de novembro de 2013
Afonso Maria de Ligório Glórias de Maria Santíssima
Comentários do Pequeno Ofício da Imaculada Conceição João Clá Dias
Maria Mãe Imaculada
Nosso Senhor quis criar para si uma Mãe Imaculada
Continuação dos comentários ao Pequeno Ofício da Imaculada
E tendo o Verbo
escolhido por mãe a Virgem casta,
Não quis que fosse sujeita à culpa que o mundo arrasta
O louvor que aqui
rendemos à Santíssima Virgem é uma extensão do anterior. Eis
como, bela e cabalmente, o santo autor das Glórias de Maria nos
explica seu conteúdo:
Nosso
Senhor quis criar para si uma Mãe Imaculada
“Nenhum outro
filho pode escolher sua mãe. Mas se a algum deles fosse dada tal
escolha, qual seria aquele que, podendo ter por mãe uma rainha, a
quisesse escrava? Ou, podendo tê-la nobre, a quisesse vil? Ou,
podendo tê-la amiga, a quisesse inimiga de Deus? Ora, o Filho de
Deus, e Ele tão somente, pode escolher-se mãe a seu agrado. Por
conseguinte, deve-se ter por certo que a escolheu tal qual convinha a
um Deus. Mas a um Deus puríssimo convinha uma mãe isenta de toda
culpa. Fê-La, por isso, imaculada, escreve São Bernardino de Siena.
“E aqui quadra uma
passagem de São Paulo: Pois convinha que houvesse para nós um
pontífice tal, santo, inocente, impoluto, segregado dos pecadores
(Heb. VII, 26). Um douto autor faz observar que, segundo o Apóstolo,
foi conveniente que nosso Redentor fosse separado tanto do pecado
como até dos pecadores. Também São Tomás o afirma com as
palavras: Aquele que veio para tirar o pecado, devia ser segregado
dos pecadores, quanto à culpa que pesava sobre Adão. Mas, como
poderia Jesus Cristo dizer-se separado dos pecadores, se pecadora Lhe
fosse a Mãe? [...]
“Com São Pedro
Damião e São Paulo devemos, pois, ter por certo que o Verbo
Encarnado escolheu para si mesmo uma mãe digna, da qual se não
tivesse que envergonhar. Os judeus chamavam, com desprezo, a Jesus, o
Filho de Maria, isto é, filho de uma mulher pobre. «Não é sua mãe
essa que é chamada Maria?» (Mt. XIII, 55). Não O atingiu esse
desprezo, a Ele que vinha dar ao mundo exemplos de humildade e
paciência. Mas ser-Lhe-ia certamente um grande opróbrio, se tivesse
de ouvir dos demônios: Não é sua mãe essa que é pecadora? Que
nascesse Jesus de uma mãe disforme e mutilada no corpo,ou possessa
do demônio, seria igualmente inadmissível. Quanto mais, por
conseguinte, o será o nascer Ele de uma mulher, cuja alma por algum
tempo houvesse sido deformada e possessa por Lúcifer?
“É Deus a própria
Sabedoria. Oh! como soube fabricar a casa em que havia de habitar na
Terra, e como conseguiu fazê-la realmente digna de si mesmo!
Convinha
ao Legislador do IV mandamento preservar sua Mãe do pecado original
“O Senhor deu-nos
o preceito de honrar os nossos pais. Ele próprio não quis deixar de
observá-lo ao fazer-se homem, nota São Metódio, e por isso cumulou
sua Mãe de todas as graças e honras. Portanto, conforme o
Pseudo-Agostinho, deve-se certamente crer que Jesus preservou da
corrupção o corpo de Maria, depois da morte. Ora, quanto menos
então teria Jesus Cristo atendido à honra de sua Mãe, se A não
houvesse preservado da culpa de Adão? Certamente pecaria o filho
que, podendo preservar a mãe da culpa original, não o fizesse logo,
observa o agostiniano Tomás de Estrasburgo. Mas — continua ele —
o que para nós seria pecado, não seria certamente decoroso ao Filho
de Deus. Podendo fazer sua Mãe imaculada, tê-lo-ia deixado de
fazer? Não; isso é impossível, diz Gerson. [...]
Digna
Mãe de um digno Filho
“Em conclusão,
recordo as palavras de Hugo de São Vítor: Se o Cordeiro foi sempre
imaculado, sempre ilibada deve também ter sido a Mãe, porque é
pelo fruto que se conhece a árvore. E por isso assim a saúda: O
digna Mãe de um digno Filho! Maria era de fato digna Mãe de tal
Filho e só Jesus era digno Filho de tal Mãe. Acrescenta depois: O
formosa Mãe do belo Filho, ó excelsa Mãe do Altíssimo!
“Digamos-Lhe,
pois, com Santo Ildefonso: Alimentai com vosso leite, ó Mãe, o
vosso Criador; alimentai Aquele que vos fez, e tão pura e tão
perfeita Vos criou, que merecestes que de Vós Ele próprio tomasse o
ser humano”
sábado, 26 de outubro de 2013
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Nossa Senhora do Pilar
Continuação da história de Nossa Senhora do Pilar
Primórdios do atual Santuário
Poucas são as notícias das quais dispomos sobre o
acontecido a partir desse momento, a não ser que, para conservação
do valioso Pilar — com esse nome passou a ser conhecida, mais
tarde, a celestial coluna —, São Tiago e os seus ergueram uma
minúscula edícula, que foi conservada tal qual até a reforma da
Basílica, realizada em meados do século XVIII. Construída em
adobe, no sentido paralelo à muralha da cidade, tinha ela quase
quatro metros e meio de cumprimento por pouco mais de dois de
largura.3
É de se supor também que, embora o culto às imagens
ainda não estivesse estabelecido na Igreja, tenham eles colocado
sobre a coluna alguma efígie de Maria Santíssima, pois, caso
contrário, almas recém-saídas das trevas do paganismo facilmente
poderiam torná-la objeto de um culto fetichista, como não era raro
acontecer na época com peças semelhantes. Outros, entretanto,
acreditam que também uma imagem foi entregue por Nossa Senhora a São
Tiago, quiçá a mesma que até hoje é venerada no local.
De uma forma ou de outra, não se fizeram esperar os
frutos da pregação do Apóstolo e seu pequeno grupo de seguidores.
A partir daquele momento a Fé começou a vingar com força tanto em
Saragoça quanto no resto da Península Ibérica. Já São Paulo nos
fala da existência de uma Igreja na Espanha (cf. Rm 15, 24) e são
constantes as referências a ela no decorrer da História. E quando,
no século IV, se iniciou a perseguição de Diocleciano, Santa
Engrácia e seus companheiros escreveram com seu sangue naquela
cidade o belíssimo episódio dos “inumeráveis mártires”,
narrado pelo poeta Prudêncio em sua obra Peristéfanon.
O Pilar, inabalável durante
dois mil anos
Fundada pelos iberos no terceiro século da Era Antiga,
Saragoça experimentou ao longo de sua multissecular história o
influxo de diversas raças e culturas, que modelaram aos poucos o
caráter de suas gentes.
Cerca de 15 anos antes do nascimento de Cristo,
transformou-se em uma cidade romana tomando, em honra ao Imperador, o
nome de Cæsaraugusta. Foi mais tarde habitada por visigodos,
conquistada por muçulmanos, reconquistada pelos cristãos, e, em
tempos mais recentes, dominada pelos franceses durante a invasão
napoleônica.
Mas, em meio a todas essas vicissitudes, algo se manteve
inalterado a despeito de tanta desgraça. Desde o século I da Era
Cristã até nossos dias, lateja no coração dos saragoçanos a Fé
católica professada sob o manto de Nossa Senhora do Pilar, devoção
que nem as furibundas perseguições romanas, nem a dominação
visigótica, nem o orgulho da heresia ariana, nem a invasão
sarracena, nem as baionetas do exército de Napoleão, carregadas de
ódio revolucionário contra a Religião, conseguiram destruir.
Perante os vagalhões da História, impulsionados amiúde
por uma sanha anticristã, o Pilar e o culto à Santíssima Virgem
permaneceram inalterados, por mercê da especial proteção
profetizada pela Virgem Santíssima no momento de sua aparição.
Intolerância dos almorávides
Deixemos para outra oportunidade os interessantes fatos
ocorridos durante as dominações germânicas, e situemo-nos na
segunda década do século VIII, quando, aproveitando-se da
decadência da dinastia visigoda, os guerreiros do Islã conquistaram
a quase totalidade da Península Ibérica. Dependendo das
circunstâncias concretas com que se encontraram em cada lugar, os
novos senhores das Espanhas impuseram condições muito diversas à
prática da Religião Católica, as quais variavam desde a
perseguição declarada até uma tolerância benévola.
Na cidade de Saragoça, o culto foi autorizado, embora
com pesadas restrições, entre elas a proibição de fazer qualquer
reparo nos templos, o que leva a perguntar-se qual seria o estado
desses edifícios, à medida que as décadas e os séculos fizessem
sentir sobre eles os seus efeitos...
Quase quatro séculos levava a cidade de Saragoça sob
domínio sarraceno, quando em 1118, um rei jovem e empreendedor —
Alfonso I, o Batalhador — acometeu a reconquista da cidade. O Bispo
Dom Bernardo, há pouco expulso da sé cæsaraugustana pela crescente
intolerância dos almorávides, acabara de falecer e, para
substituí-lo, o monarca propôs ao Papa da época, Gelásio II, a
nomeação de um virtuoso clérigo francês chamado Pedro de Librana.
O próprio Sumo Pontífice, que se encontrava então no sul da
França, conferiu-lhe a ordenação episcopal e cumulou de benefícios
espirituais aos que outorgassem esmolas para reparação da cidade e
da sua igreja.4
Retomada por fim a cidade, o novo Bispo pôs-se a campo
para tornar efetivo o desejo, manifestado pelo Santo Padre, de
promover-se a restauração do vetusto templo. Entre outras
providências, enviou uma carta a todos os fiéis da Cristandade, na
qual menciona aquela “igreja da gloriosa Virgem Maria” como
“prevalente e antecedente a todas por sua antiga e bem-aventurada
nomeada de santidade e dignidade”.5 Outros documentos da época
também certificam que a catedral dessa diocese estava dedicada à
Bem-aventurada Virgem Maria.6
Ora, se no século XII esse templo era conhecido em toda
a Europa, como atesta a naturalidade com a qual Dom Pedro de Librana
fala dele em sua carta, não há como negar sua existência anterior
à invasão sarracena. Pois se nesse período de quatro séculos,
como vimos, a ninguém foi permitido fazer qualquer reforma nos
templos cristãos, a fortiori estava proibido edificar um novo.
A partir desse momento, a história da Igreja de Santa
Maria de Saragoça, como então era conhecida, pode ser acompanhada
através dos documentos que atestaram os fatos mais importantes ali
ocorridos. Destes, destacaremos apenas dois que confirmam a profecia
feita por Nossa Senhora em sua aparição ao Apóstolo São Tiago: “A
coluna permanecerá neste lugar até o fim do mundo”.
A invasão napoleônica
Uma das fases mais dramáticas da história da Espanha
se deu no início do século XIX, quando as tropas de Napoleão,
imbuídas do espírito anticristão que dominou a França na virada
do século anterior, ocuparam a nação espanhola.
Saragoça foi uma das cidades mais afetadas pela
invasão. Duas vezes sitiada pelo exército francês, opôs heroica
resistência ao primeiro cerco e sofreu inenarráveis tormentos
durante o segundo, no qual as tropas napoleônicas usaram um
desproporcionado arsenal de recursos bélicos, visando sujeitar
aquele povo indômito que, como diria o marechal francês Suchet,
“lutava diariamente pé a pé, corpo a corpo, de casa em casa, de
um muro a outro, contra a perícia, a perseverança e o valor sem
cessar renascente de nossos soldados”.7
Para sustentar esta desigual luta, os aragoneses
auferiam a necessária energia aos pés da Virgem do Pilar, como
testemunharam os próprios invasores. Assim se exprimiu um oficial
galo, descrevendo uma situação na qual a resistência dos
saragoçanos parecia insustentável: “Sabíamos que a agitação na
cidade crescia por momentos, que o clero continuava sustentando a fé
nos milagres, e que a imagem da Virgem não tinha ainda sido descida
de seu Pilar. O povo tinha uma fé tão viva e punha tal confiança
naquela sagrada Imagem que não podíamos esperar subjugá-lo sem
antes ter arruinado seu venerado templo”.8
De fato, a obstinada resistência daquele povo só foi
vencida quando o esgotamento, a fome e as epidemias já não
permitiam aos escassos sobreviventes da cidade em ruínas sequer
levantar as armas. Elevando-se a quarenta mil o número de mortos,
foi assinada a capitulação. Mais uma vez, e de forma providencial,
a imagem da Virgem Santíssima e a já então Basílica não sofreram
maior dano do que a desavergonhada espoliação de todas as suas
peças e joias de valor. O Pilar
permaneceu em pé como símbolo da inquebrantável Fé do povo
aragonês.9
sábado, 19 de outubro de 2013
Nossa Senhora do Pilar de Saragoça
Difícil missão para o Filho do Trovão
Segundo uma venerável tradição, coube a Tiago Maior,
filho de Zebedeu, o encargo de viajar até “os confins da terra”
(At 1, 8) então conhecida, até o finis terræ delimitado pelas
mitológicas colunas de Hércules: a Hispania, uma das mais prósperas
colônias do Império, rica em recursos minerais e cujas gentes
haviam-se integrado na estrutura administrativa e cultural de Roma.
Ele deve ter chegado à Península Ibérica a bordo de algum barco
fretado por judeus da diáspora, pois numerosos escritos da
Antiguidade Cristã mencionam, desde o século III, traços de sua
presença nessa região.
Muito pouco se conhece, entretanto, sobre as
circunstâncias de sua pregação. A respeito do lugar em que o
Apóstolo aportou e o percurso por ele seguido, os dados disponíveis
permitem apenas aventurar hipóteses. Pode-se, porém, dar por certo
que no ano 40 ele se encontrava na cidade de Cæsaraugusta, atual
Saragoça, onde, depois de infaustos labores missionários, obtivera
frutos muito modestos. Segundo consta, em toda a nação apenas sete
famílias haviam abraçado a Fé em Cristo. Estas o acompanhavam em
suas lides pela expansão do Reino.1
Grande deve ter sido a provação do Filho do Trovão ao
constatar resultados tão abaixo dos anseios de uma alma fogosa que
havia presenciado as profícuas pregações em Jerusalém, com
multidões inteiras se convertendo à Lei Evangélica. E bem podemos
supor que o demônio do desânimo tenha batido às portas de seu
coração... Confiança e oração eram as únicas armas a seu
alcance nessa difícil conjuntura, e dispôs-se a usá-las.
Inesperada e animadora visita
da Virgem Maria
Na noite de 1 para 2 de janeiro do ano 40, o Apóstolo
São Tiago saiu do recinto amuralhado de Cæsaraugusta para ir rezar
à beira do rio Ebro os salmos do Deus verdadeiro, costume judaico
ainda conservado pelos primeiros cristãos. Pensava, certamente, no
desdém com que os habitantes daquela cidade, mergulhados no
paganismo e no vício, desprezavam o convite à vida da graça. Era
chegado o momento escolhido pela Providência para marcar pelos
séculos uma nação inteira.
De súbito, uma intensa luz envolveu o ambiente e grande
multidão da milícia celeste se tornou visível. Mas aquela fabulosa
visão, contrastante com a dura prova pela qual passava o Apóstolo,
não era senão uma espécie de moldura para o que logo em seguida
aconteceria. Maria Santíssima, a Mãe de Jesus, que ainda era viva e
morava em Jerusalém, chegava trazida sobre uma nuvem por mãos
angélicas até o local onde São Tiago se encontrava. Junto a Ela,
outros espíritos celestes portavam uma coluna de jaspe, da altura de
um homem e de um palmo de diâmetro. Colocaram-na no chão e a Virgem
pousou sobre ela, saudando com afeto o intrépido Apóstolo, que
contemplava extasiado o inaudito espetáculo.
Por singular privilégio, São Tiago ia receber
diretamente dos lábios de Nossa Senhora o consolo e o ânimo de que
necessitava para continuar com determinação sua lide, certo de que
as dificuldades do momento constituíam apenas uma prova cuja
superação traria abundantes frutos espirituais. E como penhor desta
celeste mensagem, quis Maria Santíssima deixar ao Filho de Zebedeu o
pedestal sobre o qual pronunciara palavras semelhantes a estas: “Olha
esta coluna sobre a qual Me assento. Sabe que meu Filho a enviou do
alto por mãos de Anjos. Neste lugar a virtude do Altíssimo obrará
prodígios e milagres admiráveis por minha intercessão e reverência
em favor daqueles que implorem meu auxílio em suas necessidades; e a
coluna permanecerá neste lugar até o fim do mundo, e nunca faltarão
nesta cidade fiéis adoradores de Cristo”.2
Concluída a celeste e inesperada visita, São Tiago
encontrou-se novamente a sós com seus discípulos. Podemos conceber
a alegria que tomou conta daquele reduzido grupo de cristãos: a Mãe
de Deus viera consolá-los na tribulação, deixando um peculiar
símbolo do que, como fruto de seu apostolado, deveria ser a Fé
inabalável daquele povo.
Primórdios do atual Santuário
Poucas são as notícias das quais dispomos sobre o
acontecido a partir desse momento, a não ser que, para conservação
do valioso Pilar — com esse nome passou a ser conhecida, mais
tarde, a celestial coluna —, São Tiago e os seus ergueram uma
minúscula edícula, que foi conservada tal qual até a reforma da
Basílica, realizada em meados do século XVIII. Construída em
adobe, no sentido paralelo à muralha da cidade, tinha ela quase
quatro metros e meio de cumprimento por pouco mais de dois de
largura.3
É de se supor também que, embora o culto às imagens
ainda não estivesse estabelecido na Igreja, tenham eles colocado
sobre a colu-na alguma efígie de Maria Santíssima, pois, caso
contrário, almas recém-saídas das trevas do paganismo facilmente
poderiam torná-la objeto de um culto fetichista, como não era raro
acontecer na época com peças semelhantes. Outros, entretanto,
acreditam que também uma imagem foi entregue por Nossa Senhora a São
Tiago, quiçá a mesma que até hoje é venerada no local.
De uma forma ou de outra, não se fizeram esperar os
frutos da pregação do Apóstolo e seu pequeno grupo de seguidores.
A partir daquele momento a Fé começou a vingar com força tanto em
Saragoça quanto no resto da Península Ibérica. Já São Paulo nos
fala da existência de uma Igreja na Espanha (cf. Rm 15, 24) e são
constantes as referências a ela no decorrer da História. E quando,
no século IV, se iniciou a perseguição de Diocleciano, Santa
Engrácia e seus companheiros escreveram com seu sangue naquela
cidade o belíssimo episódio dos “inumeráveis mártires”,
narrado pelo poeta Prudêncio em sua obra Peristéfanon.
Continua no próximo post
Pe. Ignacio Montojo Magro, EP
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Oração a Sant’Ana pela preservação dos filhos
Gloriosa Sant’Ana, protetora das famílias cristãs, a
ti encomendo meus filhos. Sei que os recebi de Deus e que a Deus eles
pertencem. Portanto te rogo que me concedas a graça de aceitar o que
a Divina Providência dispuser para eles.
Abençoa-os, ó misericordiosa Sant’Ana, e toma-os
debaixo de tua proteção. Não te peço para eles privilégios
excepcionais. Somente desejo consagrar-te suas almas e seus corpos,
para que os preserves de todo mal. A ti confio suas necessidades
temporais e sua salvação eterna.
Imprime em seus corações, minha boa Sant’Ana, horror
ao pecado, afasta-os do vício, preserva-os da corrupção, conserva
em suas almas a Fé, a retidão e os sentimentos cristãos, e
ensina-os a amar a Deus sobre todas as coisas, como ensinaste à tua
puríssima Filha, a imaculada Virgem Maria.
Sant’Ana, tu que foste espelho de paciência,
concede-me a virtude de sofrer com paciência e amor as dificuldades
que se apresentem na educação de meus filhos. Para eles e para mim,
peço tua bênção, ó bondosa mãe celestial.
Que sempre te honremos, como a Jesus e a Maria, que
vivamos conforme a vontade de Deus e que depois desta vida
encontremos a bem-aventurança na outra, reunindo-nos contigo na
glória por toda a eternidade. Assim seja.
sábado, 12 de outubro de 2013
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Como fazer ação de graças após comunhão
Coração de Maria
depois da comunhão
pensamentos
São Luis Grignion de Monfort
Sempre por Maria e em Maria
Modo de fazer ação de graças segundo São Luís Maria
Grignion de Montfort
Depois da Santa Comunhão, estando interiormente
recolhido, com os olhos fechados, introduzirás Jesus Cristo no
Coração de Maria. Tu O darás à sua Mãe, que O receberá
amorosamente, O instalará honorificamente, O adorará profundamente,
O amará perfeitamente, O abraçará com amor e Lhe tributará, em
espírito e verdade, várias homenagens que nos são desconhecidas, a
nós, envoltos nessas densas trevas.
Ou então, conservar-te-ás profundamente humilhado no
teu coração, na presença de Jesus residindo em Maria. Ou
conservar-te-ás como um escravo à porta do palácio do Rei, onde
Ele está falando com a Rainha. E, enquanto Eles falam, sem precisar
de ti, irás em espírito ao Céu e pela Terra inteira pedir a todas
as criaturas que agradeçam, adorem e amem Jesus em Maria, por ti.
“Vinde, adoremos, vinde!” (Sl 94, 6).
Ou então tu mesmo pedirás a Jesus, em união com
Maria, a vinda do seu Reino sobre a Terra, por intermédio de sua
Santa Mãe. Ou pedirás a sabedoria divina, ou o amor divino ou o
perdão dos teus pecados, ou qualquer outra graça, mas sempre por
Maria e em Maria. [...]
Há uma infinidade de pensamentos que o Espírito Santo
fornece; e te fornecerá, se fores interior, mortificado e fiel a
esta grande e sublime devoção que acabo de te ensinar. Mas
recorda-te de que quanto mais deixares agir Maria na tua Comunhão,
mais Jesus será glorificado. E deixarás agir tanto mais Maria por
Jesus e Jesus em Maria, quanto mais profundamente te humilhares e os
escutares em paz e silêncio, sem procurar ver, gostar ou sentir.
Pois o justo vive, em tudo, da fé, e particularmente na Sagrada
Comunhão, que é um ato de fé: “O meu justo viverá da fé!”
(Hb 10, 38).
Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem –
Suplemento, n.3.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Basilica Salesiana Argentina
Buenos Aires
Nossa Senhora Auxiliadora
Oratório de Ménilmontant
revista Arautos do Evangelho
Nossa Senhora Auxiliadora
A imagem que fez São João Bosco exclamar
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|
Acima do altar, artisticamente
bem
localizada,
encontra-se uma valiosa imagem de
Maria
Auxiliadora.
|
Quem caminha pelas ruas de Buenos Aires, em pouco tempo
se sente atraído pelos palacetes, casarões antigos e ruas calçadas
em pedra, ornadas por frondosas árvores centenárias, formando um
belo conjunto de elevação e bom gosto.
A aprazibilidade do ambiente é acrescida pela incomum tranquilidade que ainda hoje o transeunte encontra caminhando pela
cidade.
Um bairro especialmente marcado pela influência
salesiana chama a atenção: Almagro. Nele destaca-se a admirável
Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora, com seu atraente campanário.
Seu interior nos fala de um original estilo arquitetônico que
convida ao recolhimento e à oração.
Logo à entrada, surpreendemo-nos com o esplendor e a
grandiosidade do edifício. Tudo nos leva a esquecermos o dia-a-dia e
nos deixarmos pervadir pelo clima sobrenatural que paira no recinto.
Instintivamente, nossos olhos se elevam para o ponto monárquico da
igreja: acima do altar, encontra-se solene e majestosa a imagem de
Nossa Senhora Auxiliadora. A ela se chega por prestigiosa escadaria
de mármore que não nos separa, mas aproxima de tão bondosa
Senhora.
*
* *
Como chegou ela a Buenos Aires? No ano de 1886, o
diretor da casa salesiana de Paris encomendou uma imagem de Maria
Auxiliadora para ser colocada na capela do Oratório de São Pedro,
no bairro Ménilmontant. Uma vez terminada a escultura, esperavam uma
visita de Dom Bosco a Paris para benzê-la. Não podendo este viajar
à França, seus filhos espirituais a enviaram a Turim.
Conta-se que quando Dom Bosco a viu, exclamou: “É
propriamente Ela!” E, segundo alguns, ele teria acrescentado: “Como
A vi num sonho quando tinha nove anos”. Essa imagem foi entronizada
no Oratório de Ménilmontant, Paris, em 5 de junho de 1886, festa da
Santíssima Trindade, onde foi venerada até 1903.
Ocorreu que, a partir de meados do séc. XIX, as
relações entre a Igreja e o governo francês foram se deteriorando
gravemente. E sob a presidência de Emilio Loubet, a França separou
legalmente a Igreja do Estado. Confiscaram-se os bens eclesiásticos,
entre eles os templos e as escolas, inclusive a mencionada igreja de
São Pedro.
Um devoto, para proteger a imagem de Maria Auxiliadora
do vandalismo, escondeu-a em sua casa.
Enquanto esses tristes acontecimentos se passavam, no
outro lado do Atlântico, em Buenos Aires, erguia-se um suntuoso e
artístico templo para celebrar as bodas de prata das missões
salesianas no Novo Continente. Dom Cagliero, primeiro bispo salesiano
e iniciador das obras de São João Bosco na América do Sul,
abençoara a pedra fundamental.
O arquiteto da futura basílica viajou à França em
busca de material para a decoração do templo. Informado da
existência da imagem de Nossa Senhora resgatada pelo dedicado fiel,
comunicou o fato ao inspetor salesiano em Buenos Aires. Este tomou as
providências ante o sucessor de São João Bosco, São Miguel Rua,
para conseguir semelhante relíquia. E os trâmites foram bem
sucedidos. Em 1904, a bela imagem de Maria Auxiliadora desembarcava
em Buenos Aires. E desde então dispensa suas graças e bênçãos a
quem d’Ela se aproxima com filial devoção.
(Revista Arautos do Evangelho junho 2005)
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Comentários do Pequeno Ofício da Imaculada Conceição João Clá
Imaculada Conceição
Maria sem pecado
Santo Afonso de Ligório
Incomparável brilho da Imaculada Conceição
Continuação dos Comentários ao Pequeno Oficio da Imaculada Conceição - Mons João Clá Dias
Convinha, pois, certamente, que a Mãe de tão nobre Filho
Não tivesse de Eva a mancha, e resplandecesse com todo o
brilho.
Incomparável
brilho da Imaculada Conceição
Conta o Pe. Bernardes que “a um servo de Deus (João
Brebêncio, da Companhia de Jesus), que mereceu a auréola do martírio, e era devotíssimo
da Virgem Santíssima, se dignou a mesma Senhora aparecer acompanhada de tantas
virgens, que pareciam inumeráveis. Estavam todas postas por sua ordem em um vastíssimo
e altíssimo monte, indo decrescendo no número, conforme o monte se ia
estreitando piramidalmente, até que no supremo cume dele estava unicamente a soberana
Virgem das virgens. E deste lugar só, único e solitário entre tanta multidão de
almas puras, Lhe resultava uma glória incomparável.
“Assim — infere o Pe. Bernardes —, podes tu, alma
minha, considerar e gozar-te da glória da Senhora, que, entre a multidão quase infinita
dos filhos de Adão, Ela seja a única que ocupa o ápice da pirâmide, sendo
preservada da mácula que todos incorreram e de que neste espesso bosque das
gerações humanas, este só ramo de ouro cintile tanto com os resplendores da
divina graça desde o primeiro instante de sua natureza”
Sim, “o brilho da luz eterna resplandeceu nesta
simples criatura, que, por uma perfeita virgindade de coração, uma singular
continência de espírito única entre todas, conservou pura e sem mancha a imagem
do Senhor” 1
Convinha
à dignidade de Mãe de Deus uma alma imaculada
Esse admirável fulgor com que o Padre Eterno revestiu
a Imaculada Conceição, tem por principal motivo a escolha da Santíssima Virgem
para Mãe de seu Filho unigênito, como afirma Fr. Luís de Granada:
“Que uma alma encerrada num corpo sujeito a tantas
misérias e cercado de tantos sentidos, passe a voar sobre todos os Anjos em perfeição,
e seja mais pura que as estrelas do Céu, isto é coisa de grande admiração.
[...]
“Pois tal convinha que fosse, e sobremaneira convinha
que nascesse aquela que ab æterno era escolhida para ser Mãe de Deus. Por que
costume é de Deus adequar os meios aos fins, ou seja, fazer tais os meios quais
competem para a excelência do fim para que os instituiu.
“Pois como Deus escolhesse esta benditíssima Virgem
para a maior dignidade de quantas há debaixo d’Ele, que é para ser Mãe do mesmo
Deus, assim convinha que Lhe desse o espírito, a santidade e a graça
proporcionadas à excelência desta dignidade. Donde, assim como aquele templo
material de Salomão foi uma das mais famosas obras que houve no mundo, porque
era casa que se edificava não para homens, senão para Deus, assim convinha que
este templo espiritual onde Deus havia de morar fosse uma perfeitíssima obra, pois
para tal hóspede se aparelhava.
“Porque, como convinha fosse a alma que o Filho de
Deus havia tomado por especial morada, senão cheia de toda a santidade e pureza?
“E como convinha fosse a carne da qual havia de tomar
nossa natureza o Filho de Deus, senão livre de todo o pecado e corrupção? Porque
assim como o corpo daquele primeiro Adão foi feito de terra virgem antes que a
maldição de Deus caísse sobre ela, como sucedeu depois do pecado (Gên. II, 7), assim convinha fosse
formado o corpo do segundo [Adão] de outra carne virginal, livre e isenta de
toda maldição e pecado” ‘.
A
honra e a nobreza do Filho exigiam uma Mãe imaculada
A sentença que acabamos de considerar é comum entre os
autores eclesiásticos, como superiormente nos demonstra Santo Afonso de Ligório.
Escreve o Fundador dos Redentoristas:
“Assim fala São Bernardo à Senhora: Antes de toda
criatura fostes destinada na mente de Deus para Mãe do Homem-Deus. Se não por outro
motivo, pois ao menos pela honra de seu Filho, que é Deus, era necessário que o
Pai Eterno A criasse pura de toda mancha. [...]
“Como é sabido, a primeira glória para os filhos é
nascer de pais nobres. «A glória dos filhos (são) os seus pais» (Prov. XVII,
6).
“Por isso, na sociedade menos mortifica passar por
pobre e pouco formado, do que ser tido por vil de nascença. Pois com sua
indústria pode o pobre enriquecer, e o ignorante fazer-se douto com seus estudos.
Mas quem nasce vil, dificilmente pode nobilitar-se, [e] ainda que o consiga,
está exposto a ver que lhe atirem em rosto a baixeza de sua origem.
“Deus, entretanto, podia dar a seu Filho uma Mãe
nobilíssima e ilibada da culpa original. Como então admitir que Lhe tenha dado
uma manchada pelo pecado? Como dar a Lúcifer o ensejo de exprobar ao Filho de
Deus a vergonha de ter nascido de uma Mãe que outrora fora escrava sua e
inimiga de Deus? Não; o Senhor não lho permitiu. Proveu à honra de seu Filho,
fazendo com que Maria fosse sempre imaculada. Assim A fez digna Mãe de tal
Filho, como testemunha a Igreja Oriental.
1) LE MULIER, Hen. De la Très-Sainte d’aprés les Saintes Écritures et les Pères de l’Eglise. Paris: Pilon, 1854. Vol. I. p. 24.
1) LE MULIER, Hen. De la Très-Sainte d’aprés les Saintes Écritures et les Pères de l’Eglise. Paris: Pilon, 1854. Vol. I. p. 24.
domingo, 22 de setembro de 2013
Arautos do Evangelho
história de Nossa Senhora do Outeiro da Glória
Mons João Clá Dias
Nossa Senhora da Glória do Outeiro
Rio de Janeiro
Nossa Senhora da Glória do Outeiro
Alvejando à luz do sol tropical durante o dia ou refulgindo
com suas paredes iluminadas em meio à quente noite carioca, o pequeno templo
bem parece uma jóia, ou um inocente brinquedo esquecido sobre um dos morros da
Baía de Guanabara.
Existem alguns panoramas privilegiados, de beleza tão
extraordinária e atraente que, ao contemplá-los, não poucas pessoas, tomadas de
arrebatamento, pensam: “Ah! Pudesse eu viver aqui para sempre, inebriando-me
todas as manhãs com este maravilhoso cenário!”.
Entre essas excepcionais paisagens encontra-se, sem dúvida, a
magnífica Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.
A beleza do local deslumbrou os portugueses desde quando
chegaram a estas terras e, em especial, certo homem chamado Antônio de Caminha,
natural de Aveiro. O grandioso panorama certamente lhe evocava o Deus Criador,
artífice de tal maravilha. Buscando viver incógnito e solitário como um
ermitão, Antônio, em 1670, refugiou-se numa gruta do chamado “Morro do Leripe”,
para lá viver em oração e contemplação.
Dotado de talentos artísticos, esculpiu ele mesmo uma imagem
da Virgem Maria, a qual, sob a invocação de Nossa Senhora da Assunção, ou da
Glória, venerava em sua ermida. Com o passar dos anos, o local começou a atrair
a devoção de outros fiéis, que acabaram por constituir uma fervorosa irmandade
em torno da veneranda imagem. Posteriormente, edificaram nesse mesmo local uma
pequena capela de taipa.
Décadas depois, tendo essa devoção crescido entre os
habitantes do Rio, nasceu o desejo de erigir uma igreja, em substituição à
capelinha original, que já se encontrava deteriorada pelo tempo. Sob a direção
do arquiteto Tenente-Coronel José Cardoso Ramalho, a construção foi concluída
em 1739. Neste mesmo ano, Dom Frei Antônio de Guadalupe, Bispo diocesano do Rio
de Janeiro, instituiu canonicamente a Irmandade de Nossa Senhora da Glória.
* * *
Um grandioso panorama natural, como o da Baía de Guanabara,
mereceria ser complementado por uma obra arquitetônica de vastas dimensões.
Entretanto, mesmo um edifício singelo e, por assim dizer, virginal — como a
Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro — pôde aprimorar, com seu discreto
encanto, a fabulosa beleza posta ali pelo Criador.
Alvejando à luz do sol tropical durante o dia ou refulgindo
com suas paredes iluminadas em meio à quente noite carioca, o pequeno templo bem
parece uma jóia, ou um inocente brinquedo esquecido sobre um dos morros da Baía
de Guanabara.
A bucólica igrejinha faz parte dos tesouros da arquitetura
barroca no Brasil. Suas características paredes brancas, emolduradas por pedras
de granito, podem ser vistas de toda a planície do Aterro do Flamengo. Dois
octógonos irregulares, alongados e interligados, compõem a nave central e a
sacristia. Sobre eles paira a torre, de quatro faces, encimada por uma cúpula
em forma de bulbo.
Transpondo as austeras portas de jacarandá, chamam a atenção
do visitante as colunas de cantaria, primorosamente talhadas, e os azulejos
portugueses ilustrados com temas bíblicos. Os três altares, em estilo rococó,
são obra de Inácio Ferreira Pinto, e sobre o arco da capela-mor encontra-se o
escudo da Família Imperial Brasileira.
Em 1937, a Igreja de Nossa Senhora da Glória foi declarada
Monumento Nacional, e em 1950 o Papa Pio XII conferiu-lhe o honroso título de Basílica
Nacional da Assunção.
(Marcos Eduardo Melo dos Santos - revista Arautos do Evangelho 84)
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Comentários do Pequeno Ofício da Imaculada Conceição João Clá Dias
Maria o favo do forte Sansão
Mons João Clá Dias
Plinio Correa de Oliveira
Sansão e o favo de mel
Sansão e o favo de mel
Continuação dos Comentários ao Pequeno Ofício da Imaculada
O favo do forte
Sansão
Juiz de Israel, dotado de extraordinária força quando
o Espírito Santo o tomava, Sansão decidiu desposar uma mulher dos filisteus, povo
que então oprimia os filhos de Jacob.
Ao conhecerem o insólito desejo de Sansão, seu pai e
sua mãe, perplexos, disseram-lhe (Juiz. XIV, 3-19): “Porventura não há mulheres
entre as filhas de teus irmãos, e entre todo o nosso povo, para que tu queiras
casar com uma dentre os filisteus, que são incircuncidados? Mas Sansão disse a
seu pai: Toma esta para mim, porque agradou aos meus olhos. Ora, seus pais não
sabiam que isto se fazia por disposição do Senhor, e que ele buscava uma ocasião
contra os filisteus, porque naquele tempo os filisteus dominavam sobre Israel.
Sansão
e o favo de mel
“Sansão, pois, com seu pai e sua mãe, foi a Tamnata.
E, quando chegaram às vinhas da cidade, apareceu um leão novo e feroz, e que rugia,
e arremeteu contra ele. Mas o espírito do Senhor apossou-se de Sansão, e ele
despedaçou o leão, fazendo-o em bocados, como se fora um cabrito, sem ter coisa
alguma na mão; e não quis contar isto a seu pai nem a sua mãe. Depois desceu e
falou com a mulher que tinha agradado aos seus olhos.
“E, voltando alguns dias depois para casar com ela,
afastou-se do caminho para ver o cadáver do leão, e eis que na boca do leão
estava um enxame de abelhas e um favo de mel.
“E tomando-o nas mãos, ia-o comendo pelo caminho; e,
chegando onde estavam seu pai e sua mãe, deu-lhes uma parte, que eles também comeram;
mas não lhes quis dizer que tinha tirado aquele mel do corpo do leão.
Enigma
proposto por Sansão
“Foi, pois, seu pai à casa da mulher, e preparou um
banquete para seu filho Sansão, porque assim o costumavam fazer os jovens
(noivos). Tendo-o visto os habitantes daquele lugar, deram-lhe trinta companheiros
para estarem com ele. E Sansão disse-lhes: Propor-vos-ei um enigma; e, se vós
souberdes decifrá-lo dentro dos sete dias da boda, dar-vos-ei trinta vestidos,
e outras tantas túnicas, mas, se o não souberdes decifrar, dar-me-eis a mim
trinta vestidos e outras tantas túnicas. E eles responderam-lhe: Propõe o
enigma, para que o ouçamos. E ele disse-lhes:
“Do que come saiu comida, e do forte saiu doçura.
“E aproximando-se o dia sétimo, disseram à mulher de
Sansão: Acaricia o teu marido, e faze que ele te descubra o que significa o enigma;
e se o não quiser fazer, queimar-te-emos a ti, e à casa de teu pai: porventura
nos convidastes vós para as bodas a fim de nos despojardes? E ela punha-se a
chorar junto de Sansão, e queixava-se dizendo: Tu odeias-me, e não me amas, por
isso não queres declarar-me o enigma, que propuseste aos filhos do meu povo.
Mas ele respondeu: Eu não o quis descobrir a meu pai e a minha mãe, e poderei
declará-lo a ti?
“Ela, pois, chorava diante dele durante os sete dias
da boda; e enfim, ao sétimo dia, sendo-lhe ela importuna, declarou-lho. E ela imediatamente
o descobriu aos seus compatriotas. E eles, no sétimo dia, antes de se pôr o
sol, disseram-lhe:
“Que coisa é mais doce que o mel, e que coisa é mais
forte que o leão?
“E ele disse-lhes: Se vós não tivésseis lavrado com a
minha novilha1, não teríeis decifrado o meu enigma. E apoderou-se dele o espírito
do Senhor e foi a Ascalon, e matou lá trinta homens, e, tirados os seus
vestidos, deu-os àqueles que tinham decifrado o enigma.
“E, sobremaneira irado, voltou para a casa de seu
pai.”
Favo
que trouxe em si o autor da vida
No favo de mel, extraído do cadáver de um leão,
“considera-se a imagem da vida que se encontra no próprio seio da morte, e a
bondade do mel saboroso, colhido numa fonte que naturalmente provoca asco e
repugnância.
“Assim como o favo traz o mel, Maria, ainda que
possuidora de uma natureza mortal, trouxe dentro de si a Jesus, autor da vida.
“Nem podia o celestial mel querer outro favo que não
fosse o puríssimo e alvíssimo favo do imaculado seio de Maria” 2
Mãe
melíflua
Havemos também de considerar no favo de mel colhido
pelo forte Sansão, um símbolo da incomparável doçura de Nossa Senhora.
A respeito desse suave predicado mariano, comenta o
Prof. Plinio Corrêa de Oliveira:
“Em um de seus harmoniosos louvores 3 tributados à
Santa Mãe de Deus, assim canta a Igreja: «Ó Virgem lindíssima, ó Mãe melíflua».
“Celestialmente bela, Nossa Senhora está toda
circundada de mel.
Essa conjugação entre a formosura e a suavidade não é
fortuita, pois há certa forma de beleza, embora majestosa, da qual se desprende,
de todos os modos, a doçura do mel.
“A formosura de Nossa Senhora não é apenas extrema,
como também apresenta extrema doçura. Desta emana toda sorte de benevolência e
de bondade.
“Ela é, pois, a Virgem melíflua, cuja suavidade atrai
toda alma que d’Ela se aproxima”4.
Os
lábios de Maria são como um favo de mel
E o Pe. Rolland assim se refere à extraordinária
doçura da Mãe de Deus:
“Se é verdade que a (virtude da] doçura está em proporção
com a pureza, a humildade e a caridade, que cimo de perfeição não atingiu a
doçura de Maria, a mais pura, a mais humilde e a mais amável das criaturas?
“Em Maria, jamais dureza, frieza nem inconstância de
ânimo, mas a graça, a amenidade, a cordialidade perfeitas. Quão doce e amável era
Ela na casa de São Joaquim e de Sant’Ana, no templo de Jerusalém, no exílio, em
Nazaré, durante a Paixão e durante sua permanência sobre a Terra após a
Ascensão! Aproximar-se-Lhe, vê-La, ouvi-La, era indizível felicidade!
“Sua inigualável doçura nos é afirmada pelo próprio
Espírito Santo. Ele a tinha em vista, quando, descrevendo a mulher ideal, disse:
«Ela abriu sua boca à sabedoria, e uma lei de doçura reside em seus lábios».
“A Santa Igreja, em sua liturgia, não deixa de
ressaltar a amabilidade de Maria, nesses breves mas eminentemente expressivos
termos:
«Vossos lábios são como um favo de mel que destila a
suavidade; o leite e o mel estão sobre vossa língua, tanto vossas palavras são
deliciosas». [...]
“Que a inefável doçura de Maria excite, portanto,
nossa entusiasmada admiração, nossa confiança sem limites e, sobretudo, nossa generosa
imitação”5.
1) Isto é, “se vos não tivésseis valido
de minha débil e tímida esposa” (Nota do Pe. Matos Soares, na Bíblia por ele
traduzida e comentada, 6. ed. São Paulo: Paulinas, 1953).
2) Do PEQUENO PEQUENO OFÍCIO DA IMACULADA
CONCEIÇÃO em latim e português com comentários. São Paulo: Paulinas, 1956. p.
114.
3) Antífona O Virgo pulcherrima.
4) CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio.
Conferência em 24/8/1965. (Arquivo pessoal).
5) ROLLAND.
La Reine du Paradis. 8. ed. Paris: Langres, 1910, Vol. I. p. 581-582.
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
A Imaculada Conceição
Comentários do Pequeno Ofício da Imaculada Conceição
Divino portal fechado
Mons João Clá Dias
Nossa Senhora do Parto
Plinio Correa de Oliveira
São Tomás de Villanueva
Divino portal fechado
Continuação dos comentários ao Pequeno Ofício da Imaculada
Divino
portal fechado
Assim escreve Ezequiel, ao registrar uma de suas
proféticas visões (Ezeq. XLIV, 1-2):
“E (o Anjo) fez-me voltar depois para o caminho da
porta do santuário exterior, que olhava para o oriente, e que estava fechada. E
o Senhor disse-me: Esta porta estará fechada; não se abrirá, e ninguém passará
por ela; porque o Senhor Deus de Israel entrou por esta porta, e ela estará
fechada.”
Símbolo
da perpétua virgindade de Maria
“Nesta porta misteriosa — escreve o Pe. Félix Cepeda,
C. E M. — os Santos Padres, especialmente Santo Agostinho e São Jerônimo contra
Elvídio, vêem figurada a virgindade de Maria depois de seu glorioso parto, até
sua morte. Foi virgem ao conceber e ao dar à luz a Jesus Cristo, e será
perpetuamente virgem. Havia oferecido a Deus com voto esta fragrantíssima
açucena, e não faltará à sua promessa. O Filho perfeito, que é unigênito nos Céus,
há de ser também único na terra. [...]
“Depois do parto, ó Virgem, permanecestes imaculada!”1
Enumerando os símbolos da excelsa virgindade de Nossa
Senhora, comenta Fr. Luís de Granada:
“É igualmente figurada por aquela porta oriental que
viu o profeta Ezequiel; [...j porque ninguém entrou por aquela porta, senão apenas
o Filho de Deus, porque só Ele era seu amor, seu pensamento, seu desejo, seus
cuidados e sua contínua lembrança” 2
É também na citada passagem de Ezequiel, que o grande
Santo Ambrósio baseia sua opinião em favor da perpétua virgindade de Nossa
Senhora. Diz ele:
“Qual é esta porta, senão Maria? E por que a porta
está fechada, senão porque a virgindade de Maria em nada sofreu com sua maternidade
divina? «Esta porta estará fechada, e não se abrirá», diz o profeta. Maria é
esta porta; Jesus Cristo por ela entrou neste mundo, respeitando porém o selo
virginal de que ela estava marcada, assim como Ele saiu do sepulcro sem romper
a pedra, e como entrou no cenáculo estando as portas cerradas.
“Esta porta misteriosa permaneceu fechada antes e
depois da passagem do Senhor, porque estava reservada unicamente para Ele. «Ela
não se abrirá, e ninguém passará por ela; porque o Senhor Deus de Israel» entrou
por esta porta para habitar entre nós.
Porta
que deu passagem ao Sol de Justiça
“Esta porta olhava para o oriente, porque dela saiu o
Oriente; ela deu à luz o Sol de Justiça. E este que passou por esta porta é o
mesmo de quem pôde dizer David, no salmo CXLVII: «Louvai, 6 Jerusalém, ao
Senhor; louvai o Sião o vosso Deus; porque Ele fortificou os ferrolhos das
vossas portas». Louvai vosso Deus, ó Maria, porque o nascimento de vosso Divino
Filho consagrou e tornou para sempre gloriosa vossa puríssima virgindade!”3
E São Jerônimo, animado de ardente zelo em favor da
intacta virgindade de Maria, escreve:
“Virgem foi Cristo, virgem perpétua foi sua Santíssima
Mãe; mãe e virgem ao mesmo tempo, em cujo seio fechado penetrou Cristo. Esta é
a porta oriental, como disse Ezequiel, sempre fechada e sempre brilhante,
ocultando em si e nos dando de si mesma o Sancta Sanctorum; [porta] através da
qual entra e sai o Sol de Justiça e Pontífice nosso, segundo a ordem de
Melquisedec” 4
Conforme os ensinamentos de Santo Ambrósio e de São
Jerônimo, e com análogo fervor, comenta São Tomás de Villanueva:
“Que significa porta fechada, senão o selo do pudor, a
integridade da carne imaculada? Pois não sofreu detrimento no parto A que na concepção
recebeu aumento de santidade.
“Também se há de notar, nesta profecia de Ezequiel,
que aquela porta do santuário, fechada, olhava para o oriente, e que somente o
Senhor Deus de Israel entrou por ela, precisamente para oferecer o sacrifício.
“Que porta oriental é esta senão a Virgem, mediante a
qual brilhou a luz a todo o mundo? Não é propriamente oriental a que engendrou
o Sol de Justiça? Pois de ti nasceu o Sol de Justiça, nosso Deus. Só Cristo,
Príncipe e Sacerdote, entrou através desta porta no mundo para oferecer o sacrifício;
isto é, sua morte na Cruz, pois veio ao mundo para oferecê-lo ao Senhor”.5
1) CEPEDA,
Felix Alejandro. T/bgo Veneranda. Madrid: Corazón de Maria, 1928. p. 193-194.
2) GRANADA, Luís de. Obra Selecta. Madri:
BAC, 1952. p. 734.
3) JOURDAIN,
Z-C. Somme des Grandeurs de Marie. Paris: Hippolyte Waizer, 1900. Vol. III. p. 96.
4)
JERÔNIMO. Epístola 48, ou Libro apolog. a Fammaq. en defensa de los libros
contra Joviniano. n. 21. Apud, VILLANUEVA, Tomas de. Obras. Madrid: BAC, 1952.
p. 289.
5)
VILLANUEVA, Tomas de. Lac. cit.
domingo, 8 de setembro de 2013
Arautos do Evangelho
Mons João Clá Dias
Nossa Senhora da Saúde
oração doença
Plinio Correa de Oliveira
provação
restituir saúde corpo e alma
Nossa Senhora da Saúde
O que é que
devemos dizer da invocação de Nossa Senhora da Saúde? Na consideração mais
imediata Nossa Senhora da Saúde é Nossa Senhora tendo pena da saúde dos homens,
vendo os homens aflitos por doenças de toda a ordem. Não há um órgão humano no
qual não caibam, ao menos em potência, as mais variadas perebas e doenças
aflitivas. E aquilo que pode acontecer, acontece. Logo, os homens que podem
adoecer de tudo adoecem, de fato, de tudo, e recorrem a Nossa Senhora para
conseguir a sua cura.
É mau que
os homens peçam a cura a Nossa Senhora? De nenhum modo, é até muito bom. Por
quê é bom? Porque Nossa Senhora permite as doenças, permite as provações, em
grande número de vezes, para que os homens peçam a cura e para que através da
cura eles sintam a bondade materna d’Ela e sentindo essa bondade se sintam mais
atraídos por Ela, mais conquistados por Ela. Então, Nossa Senhora da Saúde, em
primeiro plano, é Nossa Senhora restituindo a saúde dos homens.
Será só
isto? Nossa Senhora só é mãe quando cuida de nossa saúde? Quando ela, às vezes,
permite que adoeçamos, Ela não nos concede também uma graça insigne? E quando
permite que nossas doenças durem, também não nos dá uma graça insigne? Muitas
vezes, sim. As doenças são meios de nos aproximarmos d’Ela, de tomarmos
distância das coisas do mundo, de compreendermos de como vale pouco a vida, de,
pelo sofrimento, purificarmos nossa alma de muitos pecados e de muitos defeitos.
Muitas e muitas vezes a doença é um bem para nós.
Então,
quando pedimos a saúde devemos dizer a Nossa Senhora que desejamos a saúde, que
pedimos que Ela no-la dê, na medida em que for um bem para a nossa alma. Se a
doença for melhor, que Ela nos deixe doentes. Se a morte for melhor, que Ela
nos dê a morte. Mas podemos fazer uma coisa, podemos dizer a Ela: "Se a
doença for melhor para minha alma, eu aceito, mas Vós, que podeis tanto, talvez
possais dar um jeito com os desígnios de Deus de maneira que a saúde ainda me
faça mais bem do que a doença." Porque não pedir uma coisa dessas? "E
se tal for, se até lá chegar Vossa misericórdia, se os pecados não constituírem
obstáculo à Vossa misericórdia, eu Vos peço que então me sareis, senão eu aceito
com humildade o que Vós destinardes".
Houve um
rei no Antigo Testamento – não me lembro mais quem era – que adoeceu e um dos
profetas chegou a ele e disse: "Você vai morrer." Ele virou doutro
lado, para a parede, diz a Bíblia, e chorou. Vira para a parede, chora e depois
diz: "Mas, meu Deus etc., mas eu não tinha vontade de morrer". E Deus
deu a ele 15 anos de vida ainda. O que para os senhores mais moços deve parecer
uma eternidade! Depois de 60 anos parece um prazo módico. Deus deu a ele mais
15 anos de vida. É claro que Deus mandou o profeta avisá-lo que ia morrer para
que ele pedisse para não morrer. Devemos fazer, então, a oração como Nosso
Senhor no Horto: "Pater, si vis, transfer calicem istum a me; verumtamen
non mea voluntas sed tua fiat" (Lc. 22-42). "Meu Pai, se for possível
afastai de mim esse cálice, se não for faça-se a Vossa vontade e não a
Minha". A mesma coisa com a morte.
Nossa
Senhora da Saúde no-la restitui nesse contexto, dentro dessa visão.
Evidentemente Nossa Senhora, que é nossa Mãe e que quer para nós toda a espécie
de bens, se nos dá a saúde do corpo, mais ainda quer dar-nos a saúde da alma,
porque a saúde da alma vale incomparavelmente mais que a do corpo, pois a alma
vale mais do que o corpo. E como estou partindo de baixo para cima, — estou
falando do corpo primeiro, — tratando da alma eu falo da saúde psíquica, antes
de tudo. Aqueles que têm enfermidades físicas que prejudicam o bom andamento
das faculdades mentais, enfermidades nervosas, etc., podem e devem dirigir-se a
Nossa Senhora da Saúde para que os cure.
Mas,
sobretudo, devem dirigir-se a Nossa Senhora os pecadores para que Ela restitua
a saúde à alma que se tornou enferma da pior das enfermidades, que é o pecado.
Plinio Correa de Oliveira - extraído de conferência 8/07/1970
sábado, 7 de setembro de 2013
8 de setembro
Arautos do Evangelho
diversas invocações de Nossa Senhora
Mons João Clá Dias
nascimento de Maria
Natividade de Nossa Senhora
Natividade de Nossa Senhora
Fonte de
toda elevação e grandeza, Nosso Senhor escolheu por Mãe aquela que, abaixo
d’Ele, veio ao mundo para ser o píncaro da criação. E um ápice com esta
característica de particular excelência: possuía tudo na ordem do necessário,
acrescido da elegância que se alça para o terreno do supérfluo. Ela nasceu com
o florilégio de todos os charmes possíveis, mil graciosidades, mil distinções,
mil belezas que constituem, também, a sua incomparável glória.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Arautos do Evangelho
glórias de Maria
Mons João Clá Dias
nascimento de Maria
Natividade de Nossa Senhora
Santo Afonso de Ligório
Natividade de Nossa Senhora
Mais do que todos os santos reunidos
A nossa Celeste Menina, tanto por causa de seu ofício de
medianeira do mundo como em vista de sua vocação para Mãe do Redentor, recebeu,
desde o primeiro instante de sua vida, graça mais abundante que a de todos os
santos reunidos. E que admirável espectáculo para o Céu e para a Terra, não
seria a alma dessa Bem-aventurada Menina, encerrada ainda no seio de sua mãe!
Era a criatura mais amável aos olhos de Deus, de quantas que
até então haviam existido. Houvera, pois, nascido imediatamente após a sua
Imaculada Conceição, e já teria vindo ao mundo mais rica de méritos e mais
santa do que toda a corte dos santos. Imaginemos, agora, quanto mais santa nasceu
a Virgem, vendo a luz do mundo só depois de nove meses, os quais passou adquirindo
novos merecimentos no seio materno!
Santo Afonso Maria de
Ligório, As glórias de Maria
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