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sexta-feira, 8 de julho de 2016

Plinio Corrêa de Oliveira: O mestre de Mons João Clá Dias


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Daquele brilhante sol a Virgem tem o fulgor

Continuação dos comentários ao Pequeno Ofício de Nossa Senhora 
Maria, vestida do sol divino
No seu livro do Apocalipse, São João Evangelista se refere a “um grande sinal no céu: uma mulher, vestida de sol” (XII, 1).
Aplicando a Nossa Senhora essas palavras do Apóstolo virgem, assim se exprime São Bernardo:
“Com razão Maria nos é apresentada vestida de sol, porquanto penetrou, além de tudo quanto podemos imaginar, o profundíssimo abismo da Divina Sabedoria. De sorte que, tanto quanto o permite a condição de simples criatura, Ela, sem chegar à união pessoal, parece totalmente imersa naquela inacessível luz, naquele fogo que purificou os lábios do Profeta Isaías e no qual ardem os Serafins.
“Assim, pois, de modo bem diverso mereceu Maria, não apenas ser tocada ligeiramente pelo Sol divino, mas antes ser coberta com ele por todos os lados, banhada e como que contida pelo mesmo fogo.
“Alvíssimo é, na verdade, e também calidíssimo, o vestido desta mulher, da qual todas as coisas se vêem tão excelentemente iluminadas, que não é lícito suspeitar haja n’Ela nada, não digo tenebroso, mas nem sequer obscuro ou menos lúcido, nem tampouco algo que seja tíbio ou sem o mais intenso fervor. [...]
“«Uma mulher, disse, vestida de sol». Sem dúvida coberta de luz, como de um vestido. Para o homem sensual, isto não passa de uma leviandade, já que não é capaz de compreender as coisas espirituais. Não pensava assim o Apóstolo, que dizia: «Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo» (Rom. XIII, 14). Quão familiar d’Ele fostes criada, Senhora! Quão próxima, quão íntima [d’Ele] merecestes ser criada! Quanta graça achastes diante de Deus! Ele está em Vós e Vós, n’Ele; a Ele vestis e por Ele sois vestida. Vós O vestis com a substância da carne e Ele Vos veste com a glória de sua majestade. Vestis o sol com uma nuvem, e Vós mesma sois vestida de um sol” 1.
O Pe. Manuel Bernardes, por sua vez, celebrando a Assunção de Nossa Senhora, complementa o pensamento do Doutor Melífluo:
“Como a nuvem rara, diz o Santo, quando se põe diante do sol fica o sol vestido de algumas sombras da nuvem, e fica a nuvem vestida de alguns resplendores do sol; assim a Virgem Senhora, nuvem leve (como Lhe chamou Santo Ambrósio) se vestiu da divindade, porque a divindade se vestiu de Maria Santíssima.
“E a nuvem, sendo um vapor da terra, quando [é que se veste do sol? Quando sobe ao céu por virtude do mesmo sol. Maria Santíssima sobe hoje ao Céu por virtude de Deus e então aparece no Céu vestida do mesmo Deus: Apareceu no Céu uma mulher vestida de sol.
“Maria Santíssima, subindo ao Céu, toda está vestida de Deus. Seu rosto está vestido de Deus porque nele se tratou de Deus sua benignidade; seus olhos estão vestidos de Deus, porque são olhos misericordiosos; sua língua está vestida de Deus, porque nela guardou Deus os favos de sua doçura e sabedoria; [...] as mãos estão vestidas de Deus, porque tudo podem, e todos os seus tesouros por elas correm; o coração está vestido de Deus, porque nele derramou Deus sua bondade.

“A alma está vestida ou transformada com Deus, porque, entre todas as puras criaturas, tem a maior graça e a maior glória. Maria está cercada toda de sol, e se no meio do sol pudesse haver sombra, até a sombra de Maria estaria vestida de Deus, porque Deus Lhe fez sombra ao vestir-se de Maria” 2
1) BERNARDO. Obras Completas. Madrid: BAC, 1953. Vol. I. p. 726 e 728.
2) AS MAIS BELAS PÁGINAS DE BERNARDES: 2000 Trechos selecionados por NUNES, Mario Ritter (Coord.). São Paulo: Melhoramentos, 1966. p. 341.

domingo, 1 de novembro de 2015

A fim de encarnar-se o Verbo eterno, e ser humilhado

Continuação dos comentários ao Pequeno Ofício de Nossa Senhora 
A fim de encarnar-se o Verbo eterno, e ser humilhado,
E o homem, como o sol, ao Céu ser levantado.
Como anteriormente vimos, a Redenção preventiva de Nossa Senhora teve em vista a Encarnação do Verbo. Que sua Mãe fosse Imaculada, era uma gloriosa exigência do nascimento do Filho Unigênito de Deus. Os versos em epígrafe aludem, pois, a este grandioso mistério de nossa fé, bem como à salvação e à honra que dele resultou para toda a humanidade.
Encarnação do Verbo e deificação do homem
Com efeito, “a Encarnação não teve unicamente por fim o de reparar a ofensa feita a Deus por nossos pecados, de curar a humanidade de suas feridas, e de libertá-la da escravidão ao tirano dos corpos e das almas. Ela também nos devolveria a qualidade de filhos adotivos [de Deus), perdida pela revolta original; ela iria deificar o homem, fazer dele o herdeiro do Pai e o co-herdeiro de Jesus Cristo.
“Não há nada que nossos santos Doutores tenham amiúde e mais magnificamente ensinado. «Se o Verbo se fez carne, se o Filho eterno do Deus vivo se tornou filho do homem, é para que o homem, entrando em sociedade com o Verbo, estreitando a adoção, se tornasse filho de Deus».
“E ainda: «O Filho de Deus, seu Unigênito segundo a natureza, por uma maravilhosa condescendência, tornou-se filho do homem; a fim de que nós, filhos do homem por nossa natureza, nos tornássemos filhos de Deus por sua graça». E esta doutrina, é o próprio Deus que por seus Apóstolos a transmitiu aos Padres: «Quando veio a plenitude dos tempos, enviou Deus a seu Filho, feito de mulher feito sob a Lei [...], para que recebêssemos a adoção de filhos» (Gál. IV, 4-5). [...]
“Sim, tal é o fim próximo, imediato, da união do Filho eterno com nossa natureza: fazer do homem um filho adotivo de Deus, o irmão do Primogênito. [...]
“[E], com efeito, posto que Deus queria nos elevar até Ele, não importava que Ele descesse primeiramente até nós? Que meio mais natural e mais divino de nos fazer entrar em sua família, do que se unir Ele próprio à nossa? Como, enfim, convidar-nos mais eficazmente a partilhar, por adoção, a honra da filiação divina do que nos dando o Filho, eterno objeto da complacência paterna, por irmão mais velho, um irmão de nossa carne e de nosso sangue?” 1
Completando esse ensinamento do Pe. Terrien, vem a propósito o que encontramos no Tesouro de Oratória Sagrada:
“Trata-se de que o Filho de Deus, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade augustíssima, engendrado desde a eternidade no seio do Pai, e igual a Ele em tudo, deve se humilhar, tomar a forma de escravo, reduzir-se à condição de homem, e se constituir vítima por nossas culpas.
“Trata-se de que [o Verbo de Deus] deve tomar um corpo e uma alma como a nossa, nas entranhas de Maria, e unir de um modo tão maravilhoso e tão verdadeiro nossa miserável natureza à sua, que ambas subsistam unidas e distintas numa única pessoa que nós ado ramos com o nome de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

“Trata-se de que Ele deve cumprir tudo isto para apagar a maldição que merecemos pelo pecado de nosso primeiro pai, assistir-nos em nossas misérias, instruir nossa mente, dirigir nossa vontade e santificar nossa alma; elevando-nos nesta vida, por meio da fé e da graça, até àquele Deus, com quem seremos bem-aventurados e imortais na vida futura” 2
7) TERRIEN, J.-B. La Mère de Dieu et la Mère des Hommes. 8. ed. Paris: P Lethielleux, 1902. Vol. I. p. 80-81.
8) TESORO DE ORATORIA SAGRADA. 2. ed. BULDÚ, Ramon (Dir.). Barcelona: Pons, 1883. Vol. IV p. 167.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Filha da bênção, e não da cólera

Continuação dos comentários ao Pequeno Ofício de Nossa Senhora 
É o que também afirma o Pe. Thiébaud:
“Todos os homens foram resgatados a grande preço, porque eram culpados; Maria, a primeira, será também resgatada a grande preço, mas para não se tornar culpada. Quer dizer, fomos todos resgatados por uma Redenção purgativa e sanificadora, enquanto que Maria, e só Ela, foi resgatada por uma Redenção preservadora e protetora.
“Em duas palavras, o mérito da Redenção para Maria não foi o de ter sido arrancada, como nós, da maldição geral, mas — o que é infinitamente mais precioso para Ela — é o de ter sido preservada da mesma, por antecipação. Nascemos todos filhos da cólera; somente Maria nascerá filha da bênção. Mal atingiu Ela o nível das menores criaturas da Terra, e já se elevou acima das mais augustas dignidades do Céu.
Quando Deus pensava em reerguer o gênero humano, cogitava em impedir que Maria caísse; e Ele adianta de tal maneira em favor d’Ela o cumprimento de suas promessas, que o primeiro dia da desgraça de Adão é precisamente o primeiro dia da glória de Maria. Ela começa sua santificação por onde os maiores Santos não podem terminar a deles. Numa palavra, a Redenção do mundo ainda não havia chegado, e a de Maria já estava assegurada.
“É assim que a ideia da Imaculada Conceição de Maria transporta a alma para um mundo sobrenatural, e nos introduz nos mais impenetráveis segredos do Deus três vezes santo.

“Compreende-se que Deus se devia a si mesmo esta maravilhosa isenção, e que a devia também à sua divina Mãe. A santidade do próprio Deus assim o exigia, como sendo de indispensável e total conveniência” 1
1) THIEBAUD. Les Litanies de La Sainte Vierge expliquées et commentées. 3. ed. Paris: Jacques Lecoifre, 1864. Vol. I. p. 103-104.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Redenção preventiva de Nossa Senhora

Continuação dos comentários ao Pequeno Ofício de Nossa Senhora 
O ensinamento que acabamos de considerar se torna ainda mais belo nas palavras de Santo Afonso de Ligório:
“É sabido que o Salvador veio ao mundo mais para remir a Maria, do que a todos os outros homens, escreve São Bernardino de Siena. Dois, porém, são os modos de remir, na opinião de Suárez. Consiste o primeiro em levantar o decaído e o segundo, em preservá-lo da queda. É fora de dúvida que este último é o mais nobre, observa Santo Antonino. Por ele se previne o dano e a nódoa que resultam da queda. Quanto a Maria, devemos crer, por conseguinte, que foi remida por este modo mais nobre e mais conveniente à Mãe de Deus, como reafirma um escritor sob o nome de São Boaventura.

Diz sobre isto, com muita elegância, o Cardeal Cusano: Os outros tiveram um Redentor que os livrou do pecado já contraído; porém a Santíssima Virgem teve um Redentor que, em sendo seu Filho, A livrou de contrair o pecado” .

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Necessidade da Redenção preventiva de Maria

Continuação dos comentários ao Pequeno Ofício de Nossa Senhora 
O douto e pio Nicolas assim explica a Redenção preventiva de Nossa Senhora:
“Esta isenção [do pecado original em Maria], verificou-se pela graça de Jesus Cristo. Esta mesma graça, que libertou o gênero humano inteiro do pecado original, bem pôde preservar desta culpa a Maria, aplicando-Lhe como antídoto o que ela, por sua vez, nos administra como remédio. E ainda se pode afirmar que isto foi necessário. Deus, para maior glória de Jesus Cristo, devia manifestar n’Ele, e por seus méritos, esta eficácia preservadora. É inadmissível que a virtude do sangue divino tenha limites. Sem dúvida por um plano cuja sabedoria foi reiteradas vezes manifestada, esta virtude quis limitar-se a nos purificar da mancha com que nascemos.
“Em certos personagens ilustres, como Jeremias e São João Batista, elevou-se mais alto, pois os santificou antes de seu nascimento e no próprio seio de suas mães, onde foram concebidos no pecado. Porém, o mal ainda possuía uma fortaleza — a partir da qual podia protestar contra a eficácia soberana do sangue de Jesus Cristo — nesta mesma concepção em que [ele, mal], se une à vida humana pelo ato que a transmite, imprimindo seu [funesto] selo sobre nossa origem.
“Convinha, pois, que esse último entrincheiramento do pecado fosse destruído por uma concepção imaculada, que desse testemunho, com um solene e decisivo exemplo, da onipotência absoluta dos méritos de Jesus Cristo. «Seu sangue, que tanto poder tem para nos livrar do mal, disse Bossuet não o terá para nos preservar dele? E se tem esta virtude, deixá-la-á inútil eternamente? Não haverá uma só criatura em que [dita virtude] se manifeste? E qual será esta criatura, senão Maria?»

“Este sangue divino não deveria, por seu próprio decoro, purificar a concepção de Maria, que foi sua primeira origem? «Com efeito, acrescenta magnificamente Bossuet é a partir d’Ela que começa a se estender este formoso rio, este rio de graças que corre em nossas veias pelos Sacramentos, e que leva o espírito de vida a todo o corpo da Igreja. E assim como as fontes, sempre se lembrando de seus mananciais, lançam suas águas a grandes alturas, como se procurassem suas nascentes no meio do ar; da mesma sorte podemos assegurar que o sangue de nosso Salvador fará subir sua virtude até à concepção de sua Mãe, para honrar o lugar de onde saiu»”1 .

1) NICOLAS, Augusto. La Virgen María y el Plan Divino. Barcelona: Religiosa, 1866. Vol. II. p. 109-110.

sábado, 26 de setembro de 2015

O relógio de Ezequias

Continuação dos comentários ao Pequeno Ofício de Nossa Senhora 
Vésperas
Salve regulador celeste, pelo qual
Em dez linhas foi o sol retrogradado
O relógio de Ezequias
Abrindo o quarto Livro dos Reis, lemos em seus capítulos XVIII (1-2, 13) e XX (1-10):
“No terceiro ano de Oséias, filho de Ela, Rei de Israel, reinou Ezequias, filho de Acaz, Rei de Judá. Tinha vinte e cinco anos quando começou a reinar em Jerusalém. [...]
“[Por volta do décimo quarto ano de seu governo], Ezequias adoeceu de morte; e o profeta Isaías, filho de Amós, foi ter com ele, e disse-lhe: Eis o que diz o Senhor Deus: Põe em ordem a tua casa, porque vais morrer, e não viverás (mais). E Ezequias virou o rosto para a parede, e fez oração ao Senhor, dizendo: Peço-te, Senhor, lembra-te, te suplico, de que eu andei diante de Ti em verdade e com um coração reto, e que fiz o que era do teu agrado. Depois Ezequias derramou abundantes lágrimas.
“E, antes que Isaías tivesse passado metade do átrio, o Senhor falou-lhe, dizendo: Volta e dize a Ezequias, condutor do meu povo: eis o que diz o Senhor Deus de David, teu pai: Eu ouvi a tua oração, e vi as tuas lágrimas; e eis que Eu te curei; daqui a três dias irás ao templo do Senhor. E acrescentarei quinze anos aos dias da tua vida; além disto Eu te livrarei a ti e a esta cidade da mão dos reis dos assírios, e protegerei esta cidade por amor de Mim, e por amor de David, meu servo.[...]
“Ora, Ezequias tinha dito a Isaías: Qual será o sinal de que o Senhor me curará, e de que dentro de três dias irei ao templo do Senhor? E Isaías respondeu-lhe: Será este o sinal da parte do Senhor, de que o Senhor há de cumprir a palavra que disse: Queres que a sombra (nesse relógio solar) se adiante dez linhas, ou que ela retroceda outros tantos graus?
“Ezequias disse: E fácil que a sombra se adiante dez linhas, não quero que se faça isto, mas que volte atrás dez graus. O profeta Isaías invocou, pois, o Senhor, e fez com que a sombra voltasse pelas linhas, pelas quais já tinha passado no relógio de Acaz, dez graus atrás.”
Imagem da Redenção preventiva de Nossa Senhora
O prodigioso sinal com que Deus ratificou sua promessa ao Rei Ezequias, é uma imagem do extraordinário milagre que se verificou em Nossa Senhora.

“Pois, no momento de sua Imaculada Conceição, o selo da Redenção foi n’Ela impresso antecipadamente, em virtude da previsão dos méritos de seu Divino Filho. As sombras do pecado original foram como que recuando para dar passagem a essa alma predestinada, que devia irradiar ao mundo o Sol de Justiça, Jesus Cristo, Salvador dos homens” 1.