sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Mãe da Divina Providência

O amor materno de Maria tem força regeneradora para elevar e santificar uma alma; Ela é a Medianeira das graças necessárias para a justificação daquele a quem Ela ama. Confiemos a todo instante em Nossa Senhora, lembrando-nos sempre de sua extrema meiguice para conosco, de sua compaixão para com as misérias de cada um de nós. Tenhamos presente que, na Salve Rainha, Nossa Senhora é chamada “Mãe de misericórdia”, e que o Lembrai-vos acentua a bondade d’Ela para com o pecador arrependido.
Sem nos compenetrarmos da misericórdia de Maria Santíssima, nada de bom faremos. Cultivando-a, nossa alma se cumula de confiança, de alegria e de ânimo. Tendo a Mãe da Divina Providência como nossa própria Mãe, nada nos deve abater. Ela tudo resolverá se, confiantes, implorarmos seu maternal socorro.

Plinio Corrêa de Oliveira – Extraído de conferência de 16/11/1965

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Coloquemo-nos nas mãos da Mãe Dolorosa


Ó Virgem Dolorosa, nós sabemos que juntamente com Vosso divino Filho Vós sofrestes as dores da Paixão. Vós sofrestes como Mãe, quase que na própria carne – porque mais dói a dor da alma do que a do próprio corpo. No caminho do Calvário, Vós encontrastes Jesus quando carregava a cruz às costas. Ó Mãe Santíssima, nós Vos pedimos graças super abundantes, graças eficazes, graças até místicas para bem realizar esta meditação e que ela de fato possa, de alguma forma, reparar o Vosso Sapiencial e Imaculado Coração por tantos crimes, tantos horrores e pecados que ocasionaram a Paixão de Vosso divino Filho. Hoje, ao considerardes esses crimes, blasfêmias, pecados, que vos recordeis das dores de Jesus e das vossas dores, em união com Ele.

Que essas dores penetrem em nossos corações e, cheios de arrependimento por nossas faltas, cheios de mágoa e ao mesmo tempo cheios de desejo de emenda para este mundo tão pecador, alcançai-nos a graça de compreender o quanto o pecado atrai sobre nós o castigo, e o quanto o pecado sem arrependimento atrai a cólera de Deus.
Mons João Clá Dias - Oração meditação primeiro sábado

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Oração a Nossa Senhora de Lourdes

Ó Maria, Vós aparecestes a Bernardete na cavidade de um rochedo.
No frio e nas sombras do inverno, Vós trazíeis o calor de vossa presença, a luz e a beleza.
No vazio de nossas vidas, tantas vezes obscuras, no fundo deste mundo no qual o mal é poderoso, trazei a esperança, restabelecei a confiança!
Vós, que sois a Imaculada Conceição, vinde em auxílio destes pecadores que somos nós.
Dai-nos a humildade da conversão, a coragem da penitência.
Ensinai-nos a rezar por todos os homens.
Guiai-nos até as fontes da verdadeira vida.
Fazei de nós peregrinos em marcha dentro de vossa Igreja.
Incrementai em nós a fome da Eucaristia, o alimento nesta terra, o pão da vida.
Em Vós, ó Maria, o Espírito Santo operou maravilhas: por seu poder, Ele vos colocou junto ao Pai, na glória de vosso Filho, vivo para sempre.
Considerai com ternura as misérias de nossos corpos e de nossos corações.
Brilhai para todos, como uma doce luz, na hora da morte.
Com Bernardete, recorremos a Vós, ó Maria, com a simplicidade de filhos.
Fazei-nos entrar, como ela, na eterna bem-aventurança.
Então poderemos, já nesta terra, começar a sentir a alegria do Céu e, convosco, cantar: Magnificat!
Glória a Vós, Virgem Maria, ditosa serva do Senhor, Mãe de Deus, morada do Espírito Santo! Amém!

(Traduzido da página web do Santuário, www.lourdes-france.org)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Perante à Lei de Deus


Ó Jesus, ó Maria, ó José, Vós que sendo tão perfeitos e imaculados, cumpristes com a Lei de Deus - na apresentação do Menino Jesus no Templo e na purificação de Maria - no momento em que não era necessário, mas era uma determinação da Providência e Vós levastes vossa submissão e vossa obediência até lá. Dai-me a graça de que seja arrancado de minha alma esse relativismo, por onde eu começo a desfazer e a desfigurar a Lei de Deus para poder me encaixar melhor dentro do pecado.
Arrancai essa maldita tendência de dentro de minha alma e ponde em minha alma aquele senso do absoluto, aquele senso da rigidez moral, aquele senso da Justiça de Deus. Senso que me levará na hora da minha morte a vos olhar e vos dizer:
– “Eu tive minhas debilidades, mas tomo aqui como testemunha a Jesus, a Maria e José como eu no fundo quis ser justo, quis ser perfeito”.
Mas não vou querer aproximar-me de Deus no dia da minha morte, tapeando-me a mim mesmo e tentando enganar o próprio Deus a respeito da Lei que Ele me deu.
A Lei que Ele me deu é justa, a Lei que Ele me deu é implacável, a Lei que Ele me deu é soberana, e eu devo respeitá-la.

Meu Jesus, minha Mãe, meu Patriarca, fazei-me outro face à Lei de Deus”.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Visitai-me, Senhora!

“Ó Senhora, que em nenhum instante tivestes a menor dúvida, o menor receio, o menor medo de dizer sim à vontade de Deus, vede a minha fraqueza. Quantas e quantas vezes eu estou sendo convidado pela graça a seguir este ou aquele caminho? Eu vos peço, Senhora, que sejais para comigo benévola como o fostes para com vossa prima Santa Isabel. Visitai-me, Senhora! Visitai-me, ponde em minha alma as disposições que são vossas e dai-me a graça de ser flexível em relação às inspirações que a graça puser em minha alma. Que eu jamais negue, como vós também nunca negastes, tudo aquilo que me for pedido”.
 Mons João Clá Dias – 21/10/1999

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

A apresentação do Menino Jesus no templo e a purificação de Maria

Mons. João Sconamiglio Clá Dias, EP

Meditação 

Sois a luz que brilhará nas trevas para os gentios e para a glória de Israel, o vosso povo - (Lc 2, 32).
- Meus olhos viram o Salvador, que preparastes, ó Deus, para todos os povos -. (Lc 2, 30s), exclamou o velho Simeão.

A Igreja comemora no dia 2 de fevereiro o duplo mistério da Apresentação de Jesus Cristo no templo e o da Purificação da Santíssima Virgem. Foi a oferta pública e solene de nosso divino Salvador, feita a Deus, no templo de Jerusalém, 40 dias depois de seu nascimento.
I - No Antigo Testamento...
A Lei Antiga continha dois preceitos relativos ao nascimento dos filhos primogênitos.
O primeiro prescrevia que a mãe se considerasse impura, e ficasse retirada em casa por quarenta dias, findos os quais devia ir ao templo purificar-se (Lv 12). Mandava o segundo que os pais do menino o levassem ao templo e ali o oferecessem a Deus (1); era a lei de Moisés, a qual mandava que todo o filho primogênito fosse oferecido ao Senhor (Ex 13, 2) e depois resgatado por cinco siclos de prata (Nm 18, 16), que equivalia a 20 dias de trabalho de São José.
Depois de Jesus ter nascido em Belém e de ter sido circuncidado oito dias após, Maria e José tiveram de cumprir esta dupla lei. Por quê toda família deveria cumprir estes ritos?
Esta norma da Apresentação era para lembrar aos Hebreus o prodígio acontecido em favor de seus pais, quando o Anjo exterminador feriu de morte, em uma noite, todos os primogênitos dos egípcios sem ferir os dos judeus. Foi a última das dez pragas que Deus enviou, devido à dureza do coração do Faraó, ao permanecer na decisão de não permitir a saída do povo judeu. Deus manda ao mesmo tempo, exigindo por meio de Moisés, que a partir daquela data todos os primogênitos deveriam ser entregues a Ele e depois resgatados por algum preço.
Enquanto que a purificação deveria ser feita pagando-se um tributo, que seria um cordeiro, ou se a família fosse pobre, duas rolas. Por isso que Maria sendo pobre, ofereceu ao Templo duas rolas.
Por que duas rolas? Uma era para cumprir a lei da purificação e a outra para uma oferta de holocausto.
Todos esses ritos parecem estranhos aos nossos olhos, mas Deus estabeleceu-os, por causa da dureza e rudeza daquela civilização basicamente campestre e pastoril.
1 - A lei da purificação
- Maria foi purificada - diz São Tomás - para dar exemplo de obediência e de humildade -
Essa Lei tinha sido imposta por Moisés, por inspiração divina, para as pessoas concebidas no pecado original. Ora, ali havia uma mãe sem pecado original e um Filho que vinha justamente para resgatar o pecado. Se nEla não havia mancha, nEle só havia luz! Eles podiam perfeitamente dispensar-se disso.
- Contudo, o que teria que ver as demais mães, a casta esposa do Espírito Santo, virgem na concepção de seu Filho, virgem no seu milagroso parto, sempre pura, e mais pura ainda depois de ter trazido no seu seio aquele Deus que é a mesma Pureza?(3)
- O parto virginal da Virgem preservara-a da menor sombra de impureza legal, e é evidente que Jesus não estava sujeito à Lei nem tinha que pagar nenhum resgate ou tributo, de quem estava isento por ser Filho de Deus, como Ele próprio dirá mais tarde a Pedro- (Mt 17, 24-27).(2)
Como Maria observa a lei da purificação?
- Maria e José abandonam a sua pobre casa de Belém, deliciosa habitação, onde tinham tão felizes dias, só com a roupa que tinham. O divino Menino Jesus nos braços de Maria ou de José. Mas, ó meu Jesus, que haverá de faltar, quem Vos possui, a felicidade eterna, Esplendor da glória do Pai?
- Põem-se a caminho de Jerusalém, cruzam com a gente que passa, sem prestar atenção, ao lado de uma família pobre, mas que não deixa por isso de se a primeira família do universo...
não estão preocupados com o que acham deles, se são estimados.
No céu, a Santíssima Trindade espera a mais digna oferenda, que as criaturas podiam dar-lhe!
A Santa Mãe de Deus se humilha...
-Apesar de sua augusta qualidade de Mãe de Deus, Maria para à porta do tabernáculo, como as outras mães de Israel, que não podiam entrar nele, antes de serem purificadas. Humilha-se diante do sacerdote, que ora por ela, como pelas outras; por ela é também oferecido o sacrifício de holocausto ou de adoração e o sacrifício pelo pecado. Vendo-a de joelhos, como se fosse uma penitente, no meio daquelas mulheres que precisavam fazer penitência; quem a tomaria pela Rainha dos Anjos e pela Santa Virgem das virgens?-
- Mas Deus conhece a sua pureza e isto lhe basta. Pouco importa a Nossa Senhora o que pensam dela os homens. Honra assim, a infinita Santidade do Senhor, em presença da qual toda a santidade das criaturas é menos que uma sombra -.
Quanta lição este mistério nos dá!?
a) Ensina-me a humilhar-me, a purificar-se cada vez que sou convidado a participar dos sacramentos, da celebração litúrgica.
b) Ensina-me a desprezar os juízos dos homens; eu sou o que sou diante de Deus; a opinião de meus semelhantes nada pode tirar-me nem dar-me.(3)
2 - A lei da Apresentação.
Eis que Maria se encaminha para Jerusalém a oferecer o Filho. Apressa os passos para o lugar do sacrifício, levando em seus braços a vítima tão amada.
E, depois que foram concluídos os dias da purificação de Maria, segundo a lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentarem ao Senhor.(Lc 2, 22-24)
Entra no templo, aproxima-se do altar, e ali, toda cheia de modéstia, humildade e devoção, apresenta o Filho ao Altíssimo. Mas a puríssima Virgem o ofereceu de um modo diferente do das outras mães. Essas ofereciam os filhos, mas sabiam que esta oblação era uma simples cerimônia da lei, de modo que por meio do resgate os tornavam seus, sem receio de tê-los de oferecer à morte. Maria, pelo contrário, ofereceu seu Filho à morte realmente ... Ela estava certa de que o sacrifício que então fazia da vida de Jesus, consumar-se-ia no altar da cruz.
Ora, amando vivamente seu Filho, sacrificou a si própria a Deus, ao oferecer a vida de Jesus.(1)
Ela puríssima, concebida sem a mancha original; e quem não tem mancha não tem o que reparar, não tem do que se purificar. Quanto a Ele, é Deus! Como oferecê-Lo a Deus, sendo Ele o próprio Deus! Embora essas leis não se aplicassem à Sagrada Família, no entanto, puseram-se a campo. Como sabemos, o Menino Jesus possuía inteligência divina e era desejo Seu que se cumprisse a lei conforme o costume, como veremos no decorrer da meditação.
II- A lição da Sagrada Família!
Estariam obrigados ao cumprimento dessas duas leis: o Menino Jesus, Maria e José?
No que diz respeito a lei de Deus, não há palavras que exprima a fidelidade deles.
Eles não estavam obrigados a cumprir esta lei. Eles obedeceram porque tinham devoção pela lei e para nos ensinar o quanto devemos cumprir com perfeição esta mesma lei.
Nossa Senhora, puríssima, concebida sem a mancha original; e quem não tem mancha não tem o que reparar, não tem do que se purificar. Quanto a Ele, é Deus! Como oferecê-Lo a Deus, sendo Ele o próprio Deus! Embora essas leis não se aplicassem à Sagrada Família, no entanto, puseram-se a campo.
Como sabemos, o Menino Jesus possuía inteligência divina e era desejo Seu que se cumprisse a lei conforme o costume.
Aplicação: lição para nós do quanto devemos levar a sério as leis divinas, pois, e se as leis dos homens devem ser cumpridas com exatidão, muito mais ainda as leis de Deus. E essas foram gravadas em nossos corações, desde o momento em que nossas almas foram criadas.
1- Convite ao amor à Lei de Deus.
Quando o primeiro Mandamento nos diz: amaras ao Senhor teu Deus com toda a inteligência, com toda da tua vontade, com toda a tua sensibilidade, acima de todas as coisas, essa lei está impressa e no fundo de nossos corações. E quando nos apegamos a esses ou aqueles objetos, a essas ou aquelas pessoas, quando damos mais importância a uma amizade do que ao próprio Deus e, pior ainda, quando essa amizade nos leva ao pecado - portanto, a ofender a Deus levando-nos a afastar Dele - estamos violando uma lei que está gravada no mais intimo de nossas almas e procedendo exatamente ao contrário da Sagrada Família no momento em que entram no Templo.
2 - O Santo Simeão.
Encontramos na cena da Apresentação no Templo um ancião, que diz o Evangelho: - Ora havia então em Jerusalém um homem, chamado Simeão, e este homem era justo e temente a Deus e esperava a consolação de Israel -. (Lc. 2 - 25).
Justo na linguagem da Escritura, significa santo, portanto perfeito e que procurava seguir a lei de Deus com exatidão.
Justo e temente a Deus. Bastaria ser justo, mas o Espírito Santo põe na pluma de São Lucas o elogio deste temor de Deus. Por quê?

Porque não basta só o amor, não basta a santidade, não basta o desejo de andar bem, é preciso que haja o temor. É por isso que o Espírito Santo pelos lábios de São Lucas, elogia o velho Simeão em seu amor e também em seu temor.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Minha Mãe, dai-me forças

 “Maria Santíssima, Rainha dos Céus e da terra, vós tendes à vossa disposição todos os anjos. Se vós quisésseis, vós teríeis mandado um anjo descer do Céu para aplainar aquele caminho até a casa de santa Isabel. Mais: vós teríeis mandado um anjo do Céu conduzir o burro no ar. Entretanto, vós quisestes passar por essas dificuldades todas para exemplo meu. Eu, na minha vida, encontro dificuldades e problemas, e vós quereis que eu passe por estes problemas como vós passastes por eles. Minha Mãe, dai-me forças de ser como vós”.

Mons João Clá Dias – 21/10/1999

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Comunhão: por meio de Maria

Imaginem o que deve ter sido o respeito e a adoração de uma mãe que carrega no seu claustro materno não um filho comum, mas o Criador de todo o universo.
Quantas vezes comunguei em minha vida... Eu, que tantas e tantas vezes recebi o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo em mim – que, portanto, fiz o papel de Nossa Senhora durante o período em que hóstia sagrada esteve em mim –, eu, que orações fiz a Nosso Senhor Jesus Cristo?
Não é verdade que eu devo reconhecer que estive muito aquém de tudo aquilo que seria necessário?
Não é verdade que eu deveria reconhecer que me falta tanto para ser verdadeiramente devoto do Santíssimo Sacramento e de estar à altura de receber Nosso Senhor Jesus Cristo?
Chego, então, a uma conclusão: que não há melhor meio, não há outra saída, senão a de eu pedir a Nossa Senhora que receba Nosso Senhor Jesus Cristo por mim, porque eu não sou digno.
Quando eu digo como o centurião romano: “Senhor, eu não sou digno que entreis em minha casa”, é porque eu não sou digno mesmo.
Mas Ele vem, Ele vai entrar, Ele vai se dar a mim, Ele vai viver aqui dentro.
Nesse caso, é preciso que eu diga:
“Minha Mãe, Vós O conduzistes com alegria para Ele, e com benefício enorme para vós. Dai de novo esta alegria a Nosso Senhor Jesus Cristo, estando em mim para recebê-Lo. Que Ele penetre em vós, mas que vós estejais em mim.
“E permiti, Senhora, que eu vos peça que as graças que Ele vos daria estando em vós, e que Ele vos dá estando em vós, que estas graças vós as dispenseis para este miserável servo vosso. Dai-me as graças que vós recebereis estando em mim e acolhendo ao vosso Divino Filho como O acolhestes na Encarnação”.
Eu vos peço, Senhora: que jamais eu receba uma só comunhão em toda a minha vida que não seja em união convosco e que vós estejais sempre em mim para recebê-Lo.

“Minha Mãe, que tudo seja para reparar o vosso Sapiencial e Imaculado Coração.”
Mons João Clá Dias - Meditação 2/10/1999

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Maria Santíssima é a Onipotência Suplicante


O poder de Nossa Senhora é tão grande que se exerce até sobre o próprio Deus! Por isso, os teólogos a glorificam com o título de Onipotência Suplicante. Parece haver, à primeira vista, uma contradição nos termos, pois quem suplica, nada pode. Ela porém, é de fato, a onipotência suplicante porque sua súplica pode tudo sobre Aquele que é onipotente. Desta maneira, Ela pode, praticamente, absolutamente tudo.
Essa doutrina da onipotência suplicante de Nossa Senhora não nos deve ficar como tiradas piedosas e ocas. É preciso que fique compreensível, razoável, como tudo que brota da razão com base na Fé. Devemos encontrar nesta ideia da onipotência de Nossa Senhora um substancioso alimento. Estas afirmações não devem ficar no vácuo: é preciso sabermos aplicá-las concretamente em nossa vida espiritual nas dificuldades, nos problemas, nas lutas; é preciso lembrarmo-nos de que Nossa Senhora é a onipotência suplicante e termos n'Ela uma confiança ilimitada.

Imaginemos, por exemplo, que Deus apareça à nossa mãe terrena e lhe dê a possibilidade de nos fazer todo o bem que quiser; ficaríamos, evidentemente, radiantes, pois tudo conseguiríamos facilmente. Ora, Nossa Senhora nos ama imensamente mais do que todas as mães terrenas reunidas amariam seu filho único; por isso, deveríamos ficar muito mais contentes em saber que Ela no Céu olha para nós, do que com a ideia de uma proteção eficacíssima de nossa mãe terrena.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Papel especial de Maria nos últimos tempos

Por meio de Maria começou a salvação do mundo e é por meio de Maria que deve ser consumada. Na primeira vinda de Jesus Cristo, Maria quase não apareceu, para que os homens, ainda insuficientemente instruídos e esclarecidos sobre a pessoa de seu Filho, não se lhe apegassem demais e grosseiramente, afastando-se, assim, da verdade.
Até o século III houve muitas correntes de católicos que consideravam Nossa Senhora como a quarta Pessoa da Santíssima Trindade. Por isso, Ela se retraiu.
E isto teria aparentemente acontecido devido aos encantos admiráveis com que o próprio Deus lhe havia ornado a aparência exterior. São Dionísio, o Areopagita, o confirma numa página que nos deixou e em que diz que, quando a viu, tê-la-ia tomado por uma divindade, tal o encanto que emanava de sua pessoa de beleza incomparável, se a fé, em que estava bem confirmado, não lhe ensinasse o contrário.
Mas, na segunda vinda de Jesus Cristo, Maria deverá ser conhecida e revelada pelo Espírito Santo, a fim de que por ela seja Jesus Cristo, conhecido amado e servido, pois já não subsistem as razões que levaram o Espírito Santo a ocultar sua esposa durante a vida e a revelá-la só pouco depois da pregação do Evangelho.
Deus quer, portanto, nesses últimos tempos, revelar-nos e manifestar Maria, a obra-prima de suas mãos:
1º Porque ela se ocultou neste mundo, e, por sua humildade profunda, se colocou abaixo do pó, obtendo de Deus, dos apóstolos e evangelistas não ser quase mencionada.
2º Porque, sendo a obra-prima das mãos de Deus, tanto aqui em baixo, pela graça, como no céu, pela glória, ele quer que, por ela, os viventes o louvem e glorifiquem sobre a terra.
3º Visto ser ela a aurora que precede e anuncia o Sol da justiça, Jesus Cristo, deve ser conhecida e notada para que Jesus Cristo o seja.
4º Pois que é a via pela qual Jesus Cristo nos veio a primeira vez, ela o será ainda na segunda vinda, embora de modo diferente.
5º Pois que é o meio seguro e o caminho reto e imaculado para se ir a Jesus Cristo e encontrá-lo plenamente. É por ela que as almas, chamadas a brilhar em santidade, devem encontrá-lo. Quem encontrar Maria encontrará a vida, isto é, Jesus Cristo, que é o caminho, a verdade e a vida. Mas não pode encontrar Maria quem não a procura; não pode buscá-la quem não a conhece, e ninguém procura nem deseja o que não conhece. É preciso, portanto, que maria seja, mais do que nunca, conhecida, para maior conhecimento e maior glória da Santíssima Trindade.
6ª Nesses últimos tempos, Maria deve brilhar, como jamais brilhou, em misericórdia, em força e graça. Em misericórdia para reconduzir e receber amorosamente os pobres pecadores e desviados que se converterão e voltarão ao seio da Igreja católica, em força contra os inimigos de Deus, os idólatras, cismáticos, maometanos, judeus e ímpios empedernidos, que se revoltarão terrivelmente para seduzir e fazer cair, com promessas e ameaças, todos os que lhes forem contrários. Deve, enfim, resplandecer em graça, para animar e sustentar os valentes soldados e fiéis de Jesus Cristo que pugnarão por seus interesses.
7º Maria deve ser, enfim, terrível para o demônio e seus sequazes como um exército em linha de batalha, principalmente nesses últimos tempos, pois o demônio, sabendo bem que pouco tempo lhe resta para perder as almas, redobra cada dia seus esforços e ataques. Suscitará, em breve, perseguições cruéis e terríveis emboscadas aos servidores fiéis e aos verdadeiros filhos de Maria, que mais trabalho lhe dão para vencer.

É principalmente a estas últimas e cruéis perseguições do demônio que se multiplicarão todos os dias até o reino do Anticristo, que se refere aquela primeira e célebre predição e maldição que Deus lançou contra a serpente no paraíso terrestre. 
São Luís Maria Grignion de Monfort

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Maria Santíssima, modelo de caridade

Segundo a caridade que nós usarmos para com o próximo, Deus e Maria a usarão para conosco, conforme diz Jesus Cristo, que nos medirá com a mesma medida com que tivermos medido aos outros [1]Numa palavra, conclui o Apóstolo, a caridade para com o próximo é útil para tudo, e nos faz felizes nesta vida e na outra, porque tem a promessa da vida presente e da futura [2]; e quem socorre os necessitados faz com que o próprio Deus lhe fique sendo devedor [3].
      Ó Mãe de misericórdia, Vós sois cheia de caridade para com todos; não Vos esqueçais de minhas misérias. Vós as conheceis. Recomendai-me a Deus, que nada Vos nega. Alcançai-me a graça de poder imitar-Vos na santa caridade tanto para com Deus como para com o próximo. – E Vós, ó meu Jesus, tende piedade de mim; perdoai-me todos os desgostos que Vos dei, particularmente pela minha pouca caridade com o próximo. Perdoai-me, Senhor, e não me entregueis à mercê das minhas paixões, como mereceria. Se previrdes que para o futuro eu tenho de Vos ofender novamente, deixai-me antes morrer agora, que espero estar na vossa graça. Fazei-o pelos merecimentos da caridade de Maria Santíssima, vossa querida Mãe.



[1]  Luc. 6, 38
[2]  1 Tim. 4, 8.
[3]  Prov. 19, 17.

Pe. Thiago Maria Cristini, C. SS. R., “Meditações para todos os dias do ano tiradas das obras de Santo Afonso Maria de Ligório, Bispo e Doutor da Igreja”, Herder e Cia., tomo II, págs. 34 - 37, Friburgo em Brisgau, Alemanha, 1921.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Sublime intimidade entre o Menino e a Mãe

Conclusão dos posts anteriores
Quadro de Nossa Senhora do Bom Conselho, no Colégio São Luís
No Colégio São Luís havia um quadro da Mãe do Bom Conselho colocado no retábulo do único altar da modesta capela, que era uma sala transformada em capela. Inúmeras vezes entrei lá. Por exemplo, para celebrar o mês de maio em honra de Nossa Senhora, diariamente todos os alunos entravam na capela cantando. Eu olhava para a imagem, naturalmente, e minha atenção era solicitada por duas coisas muito desiguais: uma era a Mãe de Deus e outra o Menino Jesus, mas tomados em tese, como a Doutrina Católica os considera, e como a mente de uma criança pode alcançar.
E pensava: “É a Mãe de Deus, Maria Santíssima, que me deu aquela graça no Coração de Jesus3 e está aqui sob outra invocação, outra roupagem. Mas é Ela! E vou rezar para Ela, porque já vi como é misericordiosa comigo. Sem a misericórdia d’Ela eu não me arranjo. Mas com a misericórdia d’Ela eu alcanço tudo. Portanto, é mais uma oportunidade de me unir bem a Ela, e rezar a Ela para alcançar esta união.” Eu sabia que o título, a invocação d’Ela era Mater Boni Consilii, portanto, Mãe do Bom Conselho. E tentei, algumas vezes, rezar para esta invocação, que eu notava ser excelente, mas não me dizia grande coisa. A piedade é assim: às vezes uma invocação excelente não nos fala muito à alma.
De maneira que isto ficou assim, até eu ler um livro sobre Nossa Senhora de Genazzano, pouco antes de sofrer aquela crise de diabetes4, e depois suceder tudo quanto sucedeu. Seria mais ou menos como um facho de luz que nasce pequenino, de uma lâmpada pequena, mas forte, e que depois se torna imenso. Assim seria essa primeira visualização minha de Nossa Senhora de Genazzano. 
Plinio Corrêa de Oliveira – Extraído de conferência de 26/4/1985
1) Jo 1, 14.
2) Cf. Pr 8, 31.
3) Ver Revista Dr. Plinio, n. 1, p. 4-7.

4) Ver Revista Dr. Plinio, n. 21, p. 20-21.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Sublime intimidade entre o Menino e a Mãe

Continuação do post anterior
A Mãe que criei e da qual nasci
E Nossa Senhora falando com Ele... Assim como Ele se transfigurou para três Apóstolos no alto do Monte Tabor, quantas vezes Ele Se transfigurou para Ela? E em que atitudes? Dormindo, talvez... E no dormir, que poder, que majestade, que inocência, que delicadeza! Às vezes, de fugidio, de repente, é Deus que Ela vê! Quem pode calcular isto?
Nós sabemos, pelo Gênesis, que Deus, no sétimo dia, repousou e considerou todas as coisas que tinha feito. Mas nenhuma delas era bonita como Nossa Senhora. E Jesus, como Criador, confabulando com sua natureza humana, por assim dizer, pensando:
“Como é linda esta Mãe que Eu fiz e da qual nasci! Como a alma d’Ela é incomparável! Ali no quarto — estando entreaberta a porta — vejo que Ela está rezando. É noite, e uma candeia dá uma luz indecisa. Vejo o perfil d’Ela e noto que Ela reza para Mim. Mas não entro no quarto. E percebo que Ela está orando para o Padre Eterno, para o Divino Espírito Santo. Eu — como Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, diria Ele — conheço a oração d’Ela. Entretanto, é hora de chamá-La para tal coisa.” E grita: “Mamãe!”
Poder-se-iam multiplicar as situações, desenvolver isto ao infinito. Ele A vê, em certo momento, chorar. E Ele sabe, porque a Santíssima Trindade — Ele, portanto — está dando esclarecimentos a Ela sobre a Paixão, e depois sobre a morte d’Ele. E Ele nota a docilidade d’Ela, como Ela aceita, como Ela quer. Mas Ele vê desde já aquela espada que transpassa a alma d’Ela. E Ele Se deleita em considerar que, pelo amor que Ela tem aos homens, Ela quer que Ele morra. E no dia seguinte, quando Ela se levanta, Ele percebe um sulco de dor que dá uma majestade, uma gravidade, uma interioridade à fisionomia d’Ela, que é verdadeiramente indescritível.

Imaginemos Nossa Senhora tendo conhecimento profético dos milagres, dos ensinamentos, das parábolas d’Ele, vendo a figura d’Ele, num alto de um monte, que passa... A Paixão, a Cruz, a morte e a glória da Ressurreição. Quem poderia imaginar tudo isso adequadamente? Ninguém!
Continua

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Sublime intimidade entre o Menino e a Mãe


Dr. Plinio comenta o convívio entre o Menino Jesus e sua Mãe santíssima, Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano
Nossa Senhora do Bom Conselho se apresenta a nós com uma invocação que, à primeira vista, talvez não pareça ter muita relação com o quadro. Este representa uma Rainha de um pequeno país balcânico, o que se nota na figura, nos ornamentos e, mais ainda, no tipo marcadamente oriental, com os olhos um pouco em amêndoa, e voltados para baixo.
Ela está com o Menino nos braços e numa atitude de muita intimidade, em que se tem impressão de que Ela esqueceu que é Rainha e Ele esqueceu que é Rei! Não que hajam pedido demissão ou abdicado da realeza. Mas, no momento, aquilo que está no fundo do espírito, na primeira plana da atenção e do modo de sentir, é o fato de que Ela é Mãe e Ele é Filho!
Profundeza de sentimento e de pensamento
Mais ainda — e é uma das coisas que mais me atrai no quadro —, há uma profundidade na intimidade de relacionamento, pela qual se sente até o fundo da alma d’Ela: Ela é Mãe, e Mãe daquele Filho, quer bem àquele Filho; e até o fundo da alma d’Ele: Ele é Filho, e Filho daquela Mãe! Há entre Eles uma união de alma, que explica a tranquilidade e quase a imobilidade daquele afeto.
Ou seja, é um afeto que chegou tão ao fundo, que Eles não têm nada para dizer entre Si. Estão quietos e apenas querendo-Se bem, mais nada, como quem nota que, de parte a parte, o conhecimento e o afeto mútuos chegaram até o fim. E que, portanto, não há mais o que considerar. É só fruir uma bem-aventurada delícia daquele mútuo entendimento e mútuo estar juntos!
Nesse ponto, o artista foi muito delicado porque, pintando o Menino com todas as feições de criança daquela idade, e nada de comum com o hominho precoce, vê-se n’Ele uma profundeza de sentimento e de pensamento, que o homem feito não tem. E que corresponde inteiramente à Doutrina Católica sobre o Homem-Deus.
A unidade das naturezas divina e humana na mesma Pessoa traz, como consequência, que aquele Menino, daquela idade, concebido sem pecado original, e que, portanto, não passou por nenhuma das debilidades e das — eu digo no sentido etimológico latino — imbecilidades, das fraquezas da infância, tenha a profundidade do sentir. Ele está tão consciente do que é uma mãe, do que é aquela Mãe, quais as profundezas de alma que Ela oferece a Ele; e Ele entra tão a fundo nessas profundezas que se põe na mão d’Ela como uma criança!
Quadro que tem um voo sobrenatural extraordinário
Com um sublime paradoxo: Ele é criança para tudo, exceto para entender e querer as coisas sublimes, extraordinárias. De maneira que não me espanta que Ele quisesse precisar d’Ela para os serviços mais modestos. Porque é assim que se compagina a condição de criança no Menino-Deus. E o quadro exprime isto admiravelmente. É uma obra de arte mediana, mas tem um voo sobrenatural extraordinário!
O afresco nos dá bem a noção da relação entre Eles. O modo como Nossa Senhora O carrega é o de uma pessoa que leva um tesouro de um valor infinito; mas é uma pessoa muito generosa. Se supusermos um indivíduo levando um tesouro, nós o imaginamos agarrado ao tesouro, e voltado a impedir que alguém o roube; e sua atitude é de quem diz para qualquer um: “Isto é meu, não é seu! Não chegue perto e não amole, porque é meu!”
Nossa Senhora não. Ela O segura com muito cuidado, muita delicadeza, de maneira tal que nada se passa n’Ele, ou em torno d’Ele, que Ela não note imediatamente; uma vigilância materna dulcíssima! Mas Ela não deixa ver a menor preocupação de que Lhe tirem o tesouro. Ela sabe que é desses tesouros que quando se compartem não se dividem. E uma vez dado, ele fica inteiramente com quem deu, e inteiramente a quem foi concedido. De maneira que, sem propriamente mostrar o Menino, a própria posição do rosto d’Ela foi calculada com cuidado para que não ocultasse nada da face do Menino. E que o Menino ficasse em primeiro plano e Ela no segundo.
E, pelo respeito e pela seriedade tranquila, distendida e afetuosa com que Ela O carrega, vê-se que Ela tem uma noção inteira de que está levando o Filho de Deus. E que O adora com o mais profundo respeito.
Mas, de outro lado, Ela tem a sensação de estar de tal modo penetrada pelo afeto d’Aquele a quem Ela respeita, que Se sente desembaraçada para, sem nenhuma vacilação, nenhum acanhamento, dar ordens ao seu próprio Deus. De maneira que Ela delibere quando é hora de deitá-Lo ou tirá-Lo do Presépio; se é hora de dormir ou não. E Ela, sabendo que é nada, ou como que nada, para o Deus d’Ela diz: “Meu Deus, chegou a hora de dormir!” E Ele, cuja natureza humana está hipostaticamente ligada à natureza divina, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, fecha os olhos e dorme, porque sua Mãe mandou.
Desdobramentos da Encarnação
Todas essas possibilidades estão contidas no “et Verbum caro factum est, et habitavit in nobis”. Quando São João diz no prólogo de seu Evangelho: “O Verbo de Deus se fez carne, e habitou entre nós”1, todo esse celeste turbilhão de relações vertiginosas, admiráveis e dulcíssimas será contido na Encarnação, são desdobramentos da Encarnação.
Não conhecemos detalhes do convívio entre Eles, mas é possível, por exemplo, que Ele, com um pouco mais de idade, na hora de brincar — e era Deus querendo brincar! — não tenha dito a Ela o que queria, como não diz uma criança que não sabe ainda falar. E que Ela, por amor, precisou adivinhar que Ele queria uma bola. E que tenha arranjado uma bola para Ele.
Podemos imaginar Nossa Senhora e São José confabulando sobre o tamanho, o diâmetro da bola, de que matéria seria, como fazer a bola oca, para não ficar muito pesada para a mãozinha d’Ele, etc. Mas ambos já imaginando em cima desta bola uma cruz, como se haveria de ver depois nas mãos de incontáveis reis da Terra!
Ou, então, Maria Santíssima prestando atenção para saber de que comida Ele gostava mais. Ou fazendo oração para pedir a Ele que Lhe desse o conhecimento de qual era a refeição que Ele queria comer naquele dia. E Ele talvez fazendo dificuldade para falar; de repente, dizendo a Ela uma palavra qualquer, própria de criança, mas na qual Ela percebia misteriosamente que queria dizer: “Não sabeis, minha Mãe, que Eu vim à Terra para sofrer?”

Ninguém pode calcular o que foram as relações dessa infância, os mistérios, as sublimidades... Deus brincando! A Escritura diz que, antes de todos os séculos, Deus, que é a Sabedoria, brincava na superfície de Terra2. Mas daí a uma bolinha feita na oficina de Nazaré... Que diferença!
Continua no próximo post.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Maria vela para completar o número dos eleitos

Apóstolo São João descreve com estas palavras uma visão divina: “Apareceu um grande sinal no céu: uma mulher revestida do Sol, a Lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas” (Ap 12, 1). Todos sabem que essa mulher simboliza a Virgem Maria, a qual, permanecendo virgem, concebeu nossa Cabeça.
Continua o Apóstolo: “Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz” (12, 2). São João via, pois, a Santíssima Mãe de Deus já na felicidade eterna e, entretanto, atormentada por um misterioso parto. Que parto? Por certo, o nosso; de nós que, retidos ainda neste exílio, precisamos ser gerados para o perfeito amor a Deus e a eterna felicidade.
Quanto às dores do parto, são símbolo do ardor e do amor com os quais Maria vela sobre nós no alto dos Céus e trabalha com infatigáveis preces para completar o número dos eleitos

São Pio X, Encíclica “Ad diem illum lætissimum

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Feliz Porta do Céu

Na hora bendita entre todas as horas, de um modo só conhecido por Deus, a Mulher bendita entre todas as mulheres, a Feliz Porta do Céu e sempre Virgem — como A exalta o cântico “Ave Maris Stella” — torna-Se, efetivamente, Mãe de Deus, pois a maternidade se completa quando Maria Santíssima dá ao mundo o Filho que Ela gerou.
Há uma belíssima música de Natal que canta de modo muito expressivo, como uma melodia vinda do alto: “Aparuit! Aparuit!” Afinal, apareceu na manjedoura o Verbo de Deus encarnado!

Plinio Corrêa de Oliveira – Extraído de conferência de 2/7/1995

domingo, 18 de dezembro de 2016

Concepção Imaculada de Nossa Senhora

O Menino Jesus é o pequeno, com todo o encanto do grande e do majestoso! Nossa Senhora é a flor e a pérola da Criação! A Concepção Imaculada de Nossa Senhora... são tais abismos de graça que o mar é um vil dedal de água em comparação com Ela.
Plinio Corrêa de Oliveira - 23/4/88

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

A Sagrada Família, exemplo nas dificuldades da vida


Eis um aspecto maravilhoso da família quando se desenvolve em torno de um eixo: a Lei de Deus, o próprio Deus. São José, obediente, de nada se queixa; Nossa Senhora toma os reveses com inteira cordura e submissão; e o Menino Jesus Se deixa conduzir e governar por ambos, sendo Ele o Criador do universo. Nós também devemos, portanto, ser flexíveis à vontade de Deus e estar dispostos a aceitar com doçura de coração, com resignação plena e total, os sofrimentos que a Providência exigir ao longo de nossa vida. Esta atitude diante da cruz é a raiz da verdadeira felicidade, bem-estar e harmonia familiar, e atrai sobre cada um de nós graças especialíssimas que nos restauram as almas, curando-as das misérias e firmando-as rumo ao Céu.
Peçamos à Sagrada Família que, por sua intercessão, floresça nas famílias de toda a Terra a sólida determinação de abraçar sempre mais a via da santidade, da perfeição e da virtude, buscando em primeiro lugar o Reino de Deus e de Maria, na certeza de que, em compensação, o resto virá por acréscimo.

Mons João Clá Dias - Texto extraído do Comentário ao Evangelho – Festa da sagrada Família de Jesus, maria e José

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

NOSSA SENHORA DE GUADALUPE

Pensa-se geralmente que João Diego era um indígena “pobre” e de “baixa condição social”. Contudo, sabemos hoje, por diversos testemunhos, que ele era filho do rei de Texcoco, Netzahualpiltzintli, e neto do famoso rei Netzahualcóyolt. Sua mãe era a rainha Tlacayehuatzin, descendente de Moctezuma e senhora de Atzcapotzalco e Atzacualco. Nestes dois lugares João Diego possuía terras e outros bens de herança.
A este representante das etnias indígenas do Novo Mundo, a Mãe de Deus apareceu há quase quinhentos anos, trazendo uma mensagem de benquerença, doçura e suavidade, cuja luz se prolonga até nossos dias.
Para compreendermos a magnitude da bondosa mensagem de Nossa Senhora, devemos transladar-nos ao ambiente psico-religioso daquele tempo. De um lado, as numerosas etnias que habitavam o vale de Anahuac, atual Cidade do México, haviam vivido durante décadas sob a tirania dos astecas, tribo poderosa, dada à prática habitual de sangrentos ritos idolátricos. Anualmente, sacrificavam milhares de jovens para manter aceso o “fogo do do sol”. A antropofagia, a poligamia e o incesto faziam parte da rotina de vida desse povo.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Mãe admirável

Não há maravilha mais autêntica do que a alma verdadeiramente maravilhável. Essa tem o amor de Deus, pois a perfeita Caridade consiste em maravilhar-se humilde e desinteressadamente com as coisas divinas. Não só com as invisíveis conhecidas pela Fé, mas também com as visíveis que Deus colocou ao nosso alcance.
Eis a virtude, tão fundamental para a alma contrarrevolucionária e para o espírito católico, que devemos procurar e pedir a Nossa Senhora que, como ninguém, foi a mais maravilhável das almas.
Se Deus concedeu a Maria Santíssima o Menino Jesus para encerrar-Se no seu claustro virginal, passar sua infância ao lado d’Ela, viver trinta anos maravilhando-A, é porque Ela possuía uma potência de maravilhar-Se que estava na proporção dessa maravilha. Compreende-se, assim, qual era a capacidade de maravilhar-Se de Nossa Senhora.

Resultado: tornou-Se maravilhosa. Por isso todas as gerações a chamarão Bem-aventurada (Cf. Lc 1, 48). Pelo desinteresse com que Maria amou, pela humildade com que Ela admirou, tornou-Se admirável.
Plinio Corrêa de Oliveira

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Misericordiosa Mãe


Ainda que não nos lembremos de Nossa Senhora, Ela está Se lembrando de nós do alto dos Céus, pedindo por nós com uma misericórdia que nenhuma forma de pecado pode esgotar. Basta nos voltarmos para esta misericordiosa Mãe para que, cheia de bondade, Ela nos atenda e nos limpe a alma, dando-nos força para praticarmos a virtude e nos transformarmos de pecadores em homens bons.

Plinio Corrêa de Oliveira

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Oração a Nossa Senhora do Bom Conselho

Ó Mãe do Bom Conselho, eu Vo-lo suplico: falai no mais íntimo da alma deste vosso filho e escravo.
Tornai, assim, sempre presente a meu espírito a convicção de que são objetivas — e não meros frutos da imaginação — as graças que, segundo firmíssima tradição, concedeis a vossos devotos pelas “mudanças” de vossa fisionomia.
Convencei-me de que podeis instilar, desta forma, nas almas, convicções de confiança e paz que valham por verdadeiras promessas vossas.
Tendo em vista os auxílios providenciais que em várias ocasiões inesperadamente me concedestes, peço-Vos que acresçais ainda mais minha confiança, de sorte que ela se torne inabalável em todas as ocasiões.

Pela virtude dessa confiança, dai-me a certeza de que, através de graças avassaladoras, tornar-me-eis um perfeito cavaleiro vosso; exorcizai e enviai para longe de mim qualquer influência diabólica; e uni-me cada vez mais a Vós, para Vos servir na Terra e Vos louvar no Céu. Assim seja.
Plinio Corrêa de Oliveira