sexta-feira, 21 de abril de 2017

Maria a Mãe de Cristo

Alegrai-vos, ó José, vós que, com Maria a Mãe de Cristo, levais o lírio da castidade. Alegrai-vos, ó esposo! O Coração de Maria, Vaso da sabedoria e Sacrário do Espírito Santo, em vós confia! Alegrai-vos, ó Santo, que vistes o dia do nascimento de Cristo, o Criador de todas as coisas!

Do Hino “Gaude Ioseph”

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Mulher, eis aí teu filho

Junto à Cruz de Jesus estavam de pé sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu sua Mãe e perto d’Ela o discípulo que amava, disse à sua Mãe: “Mulher, eis aí teu filho”. Depois disse ao discípulo: “Eis aí tua Mãe”. E dessa hora em diante o discípulo A levou para a sua casa (Jo 19, 25-27).
Com essas palavras, Jesus finaliza sua comunicação oficial com os homens antes da Morte — as quatro outras serão de sua intimidade com Deus. Quem as ouve são Maria Madalena, representando a via da penitência; Maria, mulher de Cléofas, a dos que vão progredindo na vida espiritual; Maria Santíssima e São João, a da perfeição.
Consideremos um breve comentário de Santo Ambrósio sobre este trecho: “Outros descreveram o transtorno do mundo na Paixão do Senhor; o céu coberto de trevas, ocultando o Sol e o bom ladrão recebido no Paraíso, depois de sua confissão piedosa; São João escreveu o que os outros calaram: como, cravado na Cruz, considerado vencedor da morte, Jesus chamou sua Mãe e tributou a Ela a reverência de seu amor filial [...]. E, se perdoar o ladrão é um ato de piedade, muito mais é homenagear a Mãe com tanto afeto [...]. Cristo, do alto da Cruz, fazia seu testamento, distribuindo entre sua Mãe e seu discípulo os deveres de seu carinho”.
É arrebatador constatar como Jesus, numa atitude de grandioso afeto e nobreza, encerrou oficialmente seu relacionamento com a humanidade, na qual Se encarnara para redimi-la. Do auge da dor, expressou o carinho de um Deus por sua Mãe Santíssima, e concedeu o prêmio para o discípulo que abandonara seus próprios pais para segui-Lo: o cêntuplo nesta Terra (cf. Mt 19, 29).
É perfeita e exemplar a presteza com que São João assume a herança deixada pelo Divino Mestre: “E dessa hora em diante, o discípulo A levou para a sua casa” (Jo 19, 27). São João desce do Calvário protegendo, mas, sobretudo, protegido pela Rainha do Céu e da Terra. É o prêmio de quem procura adorar Jesus no extremo de seu martírio.

Mons João Clá Dias –  trecho extraído “O inédito sobre os Evangelhos” vol VII

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Nossa Senhora das Dores

Fazei, ó Mãe, fonte de amor, que eu sinta o espinho da dor para contigo chorar: Fazei arder meu coração de Cristo Deus na paixão para que o possa agradar. Ó Santa Mãe dá-me isto, trazer as chagas de Cristo gravadas no coração.

Excertos da sequência Stabat Mater Dolorosa

domingo, 2 de abril de 2017

Insensibilidade

Podemos estar cansados, podemos estar meio abatidos, ainda que tenham acontecido uma série de coisas erradas durante o dia, estamos sacudidos pelo demônio. Chegamos diante do Santíssimo Sacramento ou de uma imagem de Nossa Senhora e não sentimos nada, nenhuma sensibilidade da graça...

Não importa! Eu não estou sentindo nada? Pouco me importa! Eu me lembrarei dos dias em que a graça de Deus me entusiasmou, e então, por exemplo, renovarei a minha consagração a Nossa Senhora!
Mons João Clá Dias

segunda-feira, 27 de março de 2017

Ressurreição de Lázaro

Se a Santíssima Virgem estivesse ao lado das irmãs de Lázaro, certamente - além de lhes aconselhar a aguardarem com paz de alma a chegada de seu Divino Filho - recomendaria a ambas que procurassem fazer "tudo o que Ele vos disser" (Jo 2, 5). Por maior que sejam os dramas ou aflições em nossa existência, sigamos o exemplo e a orientação de Maria, crendo na onipotência de Jesus, compenetrados das palavras de São Paulo: “todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo os seus desígnios” (Rm 8, 28). 
Mons João Clá Dias - O Inédito sobre os Evangelhos vol I

quinta-feira, 23 de março de 2017

Anunciação do Senhor


Não se tratava de um magnífico palácio o local onde Se encontrava Maria Santíssima ao ser visitada pelo Arcanjo São Gabriel, como tantos artistas imaginaram, mas de uma casa muito modesta, com paredes de tijolos aparentes. Estava situada em Nazaré, uma cidade então insignificante, na qual a Sagrada Família viverá na pobreza, humildade e apagamento.
Não há neste episódio outros elementos cujas aparências estejam à altura do acontecimento que ali se daria, a não ser a presença da Virgem Maria, e também a de São José. Pois o elevadíssimo grau de santidade de ambos certamente transluzia em seus gestos, fisionomias e em todo o seu modo de ser.
O que fazia Maria Santíssima quando o anjo chegou junto a Ela? Sem dúvida, rezava, talvez considerando a desastrosa situação na qual se encontrava a humanidade. O povo judeu havia se desviado da prática da verdadeira religião e os pagãos, a começar pelos romanos, viviam numa tremenda decadência moral. Chegara-se ao que São Paulo chama “plenitude dos tempos” (Ef 1, 10).
Ao ver iluminar-se o aposento por uma luz sobrenatural e aparecer diante d’Ela o Arcanjo São Gabriel, Maria não deu o menor sinal de espanto. Segundo vários autores, entre eles São Pedro Crisólogo e São Boaventura, Ela estava “habituada às aparições angélicas, as quais não podiam deixar de ser frequentes para Aquela que Deus havia cumulado de tantas graças, que reservava para tão altos destinos, e que os anjos reverenciavam como sua Rainha e a própria Mãe de Deus”.6 Podemos, inclusive, conjecturar que o próprio São Gabriel não Lhe fosse desconhecido.
Quando o anjo A proclama “cheia de graça”, indica estar sua alma participando da vida divina no maior grau possível naquele instante; mas um minuto depois essa plenitude já seria maior.
A presença de São Gabriel não Lhe causou qualquer perturbação. Sua saudação, porém, deixou-A com um ponto de interrogação, pois não podia imaginar que aquelas palavras pudessem ser aplicadas a Ela. Conforme esclarece São Tomás: “A Bem-aventurada Virgem tinha uma fé expressa na Encarnação futura: mas, por ser humilde, não tinha tão alta ideia de Si mesma. E por isso era preciso que fosse informada a respeito da Encarnação”.
[…]Ela não duvida das palavras de São Gabriel. Apenas apresenta-lhe sua perplexidade, visando conhecer mais a fundo como haveria de concretizar-se o desígnio divino.
A origem inteiramente sobrenatural do Verbo Encarnado foi revelada naquele momento. Que considerações não deve ter feito Maria ao conhecer o alcance desse acontecimento!
E quando a Virgem Maria disse: “Eis aqui a serva do Senhor”, o fez com total consciência, colocando-Se por inteiro nas mãos de Deus, com absoluta confiança na sua liberalidade.
A partir desse ato de radical aceitação, todo ele feito de humildade e de fé, operou-se logo em seguida a concepção do Verbo Encarnado no seu seio virginal.
Logo após o consentimento da Virgem — “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em Mim segundo a tua palavra” —, o Espírito Santo iniciou n’Ela o processo de gestação do Verbo Encarnado. Ela tornou-Se Mãe sem concurso de pai natural.
O grandioso plano da Encarnação e da Redenção do gênero humano esteve na dependência desse fiat de Maria, porque se, por uma hipótese absurda, Ela não tivesse aceitado, não teria havido a Redenção.

domingo, 19 de março de 2017

O Santo Nome de Maria e o Cerco de Viena

Dia 12 de setembro a Igreja celebra o Santo Nome de Maria. Contaremos o empolgante fato histórico que deu origem à dedicação deste dia para louvar o bendito nome da Mãe de Deus.
O Santo Nome de Maria e o Cerco de Viena
“A Áustria é uma árvore imensa, cujo tronco é Viena. Derrubado este, os galhos cairão por si!”
Com estas palavras Karah Mustafá pôs termo final à discussão do grande conselho otomano que havia se reunido em Belgrado. Imediatamente, Maomé IV ordenou o início dos preparativos de uma imensa expedição militar que deveria conquistar a capital do império austríaco!
Um poderoso exército de 200 mil homens foi posto sob as ordens do impetuoso maometano cujas palavras atearam o fogo da guerra, ou seja, o próprio Karah Mustafá.
* Beato Inocêncio XI, um homem providencial
As notícias chegadas do Oriente espalharam-se céleres por toda Europa, mas infelizmente, ela estava dividida. O protestantismo, surgido no século XVI, continuava a se infiltrar nas nações cristãs ao longo do século XVII. Reis e Príncipes, esquecidos da concórdia cristã envolviam-se em perpétuas querelas e alguns não hesitavam em firmar infames alianças com o sultão de Istambul, a fim de favorecer seus egoísmos e amores-próprios como tristemente era o caso de Luis XIV, Rei de França.
Entretanto, um anjo velava pela Europa, o Santo Padre, o Papa Beato Inocêncio XI. Ele tentava, por todos os meios unir os príncipes cristãos. Mas, bem sabia que a salvação não viria dos homens, mas somente de Deus, e por isso implorava a intervenção divina através do poderoso e santo nome de Maria!
Com efeito, o Santo Padre resolvera num Capítulo de São Pedro em Roma, coroar de ouro e pedras preciosas a imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano, a fim de que Ela obtivesse a constituição de uma Liga Católica. No dia 17 de novembro de 1682, foi a Santa Imagem do Bom Conselho coroada perante grande multidão de fiéis, por um cônego que representava o Sumo Pontífice.
A intercessão da Medianeira de todas as graças não demorou a se fazer sentir:
No dia 31 de março, o Imperador da Áustria, Leopoldo I, e o Rei da Polônia, João Sobieski, prometeram unir seus esforços contra o enorme exército que Maomé IV preparava com a intenção de apoderar-se de Viena.
* O Cerco de Viena
Em abril de 1683, o Grão-Vizir Mustafá pôs-se em marcha rumo a Viena.
No primeiro dia de maio, Leopoldo I passa em revista o exército imperial, que se compunha de 40 mil homens, e entrega o comando ao Duque Carlos de Lorena, que havia sido despojado de suas terras por Luis XIV, e encontrava-se, desde então, junto ao Imperador.
Após grave conversa com seus conselheiros, Leopoldo I decide abandonar a capital e refugia-se na cidade de Lintz.
O valoroso e destemido Conde Stahrenberg foi nomeado governador da cidade. O Duque de Lorena ordenou que 10 mil guerreiros ficassem com o Conde Stahrenberg para defender as muralhas de Viena. Corn os outros 30 mil, Carlos de Lorena iria tentar deter o avanço dos turcos.
No momento que o exército otomano cruzava o Rio Raab, os austríacos apresentaram-se para a batalha, mas logo foram rechaçados pelo numerosa tropa inimiga.
Desde 14 de julho de 1683, Viena ficou cercada, e completamente separada do exército imperial, que se havia retirado para a margem esquerda do Danúbio.
Um bosque de 25 mil tendas de campanha se estendia em forma de meia lua, rodeando a cidade; entre todas se distinguia a tenda do Grão-Vizir, verde por fora e radiante de ouro e prata por dentro, e com tantas salas e aposentos que mais parecia urna cidade fantástica, que uma tenda de campanha.
Nunca a Europa tinha sido tão ameaçada. O momento era de uma importância enorme. A meia lua, senhora dos muros de Viena, teria mudado todo o curso da História Universal.
* Iniciam-se os combates
O Grão-Vizir Karah Mustafá, não tardou em exigir que a cidade de Viena se rendesse incondicionalmente.
Após curta deliberação, os corajosos defensores fizeram ouvir a sua resposta: um formidável bombardeio!
Deu-se início a terríveis batalhas. Durante seis semanas os turcos atacaram e bombardearam ininterruptamente Viena, tentando tomá-la de assalto, enquanto a fome e a doença devastavam interiormente a capital do Império. Os habitantes preferiam, no entanto, ser sepultados nas ruínas da cidade e morrerem em defesa da Cristandade, a entregarem-se covardemente.
A cada dia esgotavam-se as provisões de pólvora e grande era a escassez de víveres.
No dia 4 de setembro, explode uma mina que faz tremer metade da cidade. Karah Mustafá dá ordem de avançarem contra a cidade. Já os turcos cravavam suas bandeiras nas muralhas, mas Stahrenberg conseguiu rechaçá-los após violentos combates e inúmeros atos de heroísmo.
Entretanto, os ataques tomavam-se cada vez mais violentos e ameaçadores, e o conde já se preparava para a luta nas ruas. Escolhe um, dentre os mais ousados cavaleiros, e manda-o levar uma mensagem ao exército do Duque de Lorena. O apelo é desesperado:
‘Não há mais tempo! Se não vierdes, estamos perdidos! Viena cairá!”
Carlos de Lorena, nada podia fazer...
* A poderosa intercessão de Maria
Nossa Senhora não é a mestra das obras inacabadas! Tendo - através de seu fiei servidor, o Papa Inocêncio XI - conseguido a formação da liga católica, Ela levaria a bom termo a sua providencial intercessão.
Na noite de 11 de setembro, os sitiados puderam ver, sobre as alturas da cordilheira do norte, o fulgor de inúmeras fogueiras. Era o Rei da Polônia, João Sobieski, que cumpria a sua promessa e avançava com um exército de 70 mil homens!
Felizes augúrios da intercessão da invencível Mediadora foram notados por todos em certas coincidências que assinalaram os preparativos da jornada: o exército polonês, depois de muitas dificuldades, conseguiu pôr-se em marcha no glorioso dia 15 de agosto, festa da Assunção; e o encontro de todas as forças aliadas, deu-se no dia 8 de setembro, festa da Natividade de Maria. Nesse dia, João Sobieski, feito comandante-em-chefe das tropas cristãs, preparou-se recebendo o Pão dos Anjos.
O domingo, dia 12 setembro de 1683 foi verdadeiramente um dia do Senhor. Ao raiar da aurora pode-se contemplar um quadro magnífico: trinta e dois principes, acompanhados por milhares de nobres assistiram à Santa Missa celebrada pelo delegado do Papa, Marco de Aviano, religioso capuchinho, com fama de santidade. Acolitava o Santo Sacrifício com os braços em Cruz o próprio João Sobieski. Todos comungaram, e o Padre Marco de Aviano deu a bênção, dizendo:
– Em nome do Santo Padre, digo-vos que, se tiverdes confiança em Deus, a vitória é vossa!
O Soberano polonês, após armar cavaleiro seu filho e incitar o exército ao combate, afirmou:
– A batalha de hoje decidirá não apenas a libertação de Viena, mas a conservação da Polônia e a salvação da cristandade inteira!
A atenção dos povos da Europa voltavam-se para Viena, e todos uniam-se aos defensores da Cristandade, pois o Papa dera ordem de expor o Santíssimo Sacramento em todas as Igrejas do Continente.
* A batalha decisiva
Ao brado de ‘Deus é nosso auxílio!” os oitenta e quatro mil homens que formavam as tropas cristãs, arremeteram contra os duzentos mil soldados do império otomano.
As nove horas da manhã, o Duque de Lorena deu início ao combate com a ala esquerda. A batalha se generalizou somente às duas horas da tarde, pois o centro das forças católicas avançava lentamente. Os muçulmanos lutavam com ferocidade, os cristãos com ousadia. A terra estremecia corn o troar dos canhões e com o estrondo galopante da cavalaria.
Não havia colina em que não se travasse uma luta tremenda. Entre o vozerio do combate, subia até o céu, como um brado de guerra, o dulcíssirno nome de Maria.
A cavalaria polonesa havia se adiantado demasiadamente no campo inimigo e quase foi envolvida pelas tropas do Grão-Vizir. O exército imperial veio em seu auxílio e conseguiu libertá-la.
As seis da tarde, a situação ainda não estava definida no campo de batalha, sendo a superioridade numérica dos turcos esmagadora.
Finalmente os alemães penetraram no campo do adversário pelo lado esquerdo; uma hora depois, os poloneses faziam o mesmo pelo lado direito. Como uma poderosa tenaz começaram a apertar o centro do exército de Mustafá.
O Grão-Vizir compreendeu que não podia mais sustentar o combate, e, chamando seus filhos, começou a chorar como uma criança. Em seguida, suplicou ao chefe dos tártaros:
- Salva-me, se podes!
Mas ele respondeu:
- Conheço bem esse rei dos poloneses: é irresistível! Pensemos antes em fugir e salvar nossas vidas!
Os turcos começaram então a fugir, e grande foi o desastre que se abateu sobre eles. O acampamento muçulmano inteiro, com suas imensas riquezas, caiu em poder dos católicos. Viena estava salva!
João Sobieski foi o primeiro a entrar na tenda do Grão-Vizir. O eleitor da Baviera, o Príncipe de Waldeck e muitos outros príncipes do Império vieram até ele e abraçaram-no com imenso afeto.
No dia 13 de setembro, o monarca e suas tropas vitoriosas entraram na cidade. O governador Stahrenberg, a frente de urna multidão, foi a seu encontro. Dirigiram-se todos para a Igreja de São Roque e São Sebastião, e lá foi entoado o Te Deum em agradecimento por tão esplêndida e miraculosa vitória.
O Rei da Polônia, ao deixar a Igreja, foi envolvido pelo povo que lhe beijava as mãos, as botas e o manto e bradava: ‘Fuit homo missus a Deo, cui nomen erat Johannes (Jo 1, 6)”, repetindo assim as palavras do Evangelho que São Pio V aplicara a Dom João d’Austria, o vitorioso de Lepanto: ‘Houve um homem enviado por Deus, cujo nome era João”.
O perigo havia sido imenso, Stahrenberg, defensor da cidade, já não tinha sob suas ordens mais de 4 mil homens: 5 mil haviam tombado em combate e os restantes jaziam nos hospitais e enfermarias improvisados.
Inocêncio XI, cujos auxílios tomaram possíveis a vitória do exército católico, mandou iluminar a Cidade Eterna e fez percorrer pelas cidades italianas a bandeira conquistada aos turcos. O bem-aventurado Sumo Pontífice havia sido, na realidade, a alma da liga católica. Desde o início viu no nome de Maria os primeiros raios fulgurantes da estrela anunciadora da vitória!
Por isso, instituiu no dia 12 de setembro a festa do Santíssimo Nome de Maria, para perpetuar a lembrança da libertação de Viena e para mostrar ao povo cristão quanta é a confiança que se deve ter na invocação deste dulcíssimo nome: Maria! Foi por meio dEle que se alcançou o memorável triunfo da Fé e da Civilização Cristã. 

quarta-feira, 15 de março de 2017

És toda formosa

 “Suponhamos que um excelente pintor tivesse que desposar uma noiva, formosa ou feia, conforme os traços que lhe desse. Que diligência não empregaria, então, para torná la a mais bela possível! Quem poderá, pois, dizer que outro tenha sido o modo de agir do Espírito Santo, relativamente a Maria? Podendo criar uma Esposa toda formosa, qual Lhe convinha, tê-Lo ia deixado de fazer? Não; tal como lhe convinha A fez, como atesta o próprio Senhor, celebrando os louvores de Maria: “És toda formosa, minha amiga, em ti não há mancha original” (Cânt 4, 7)”.

Santo Afonso Maria Ligório

quinta-feira, 9 de março de 2017

Resignação


“Ó Minha Mãe, dai-me a graça de, depois de pedir, pedir, pedir tudo aquilo que seja para a glória de meu Redentor, aceitar aquilo que me for dado com toda a resignação, como vós a tivestes”.
Mons João Clá Dias - 2/12/1999

sábado, 4 de março de 2017

O colorido do amor materno de Nossa Senhora


Em Nossa Senhora o que existe é o seguinte... Os muitos autores que tratam a respeito dessas coisas não quiseram se aprofundar inteiramente. Mas tudo isso tem aspectos infindos, e que são muito bonitos. Acontece o seguinte: é que Nosso Senhor usa como que de um estratagema para levar sua bondade, perfeitíssima, mais longe, aparentemente, do que Ela é. Quer dizer, nEle existe o equilíbrio perfeito entre a bondade e a justiça. E Ele quereria, entretanto, por bondade, levar a própria bondade um tanto mais longe do que Ele leva a justiça.
Eu já empreguei uma vez essa metáfora: a coisa é como um diretor de colégio em relação ao qual os alunos tivessem feito uma coisa tão horrorosa que ele não pudesse mais continuar diretor daquele colégio. Então ele, para romper, ele sabia que aqueles meninos cairiam na perdição. Não querendo que os meninos caíssem na perdição, ele diria à mãe: “Minha mãe, eu estou em condições que eu não posso mais voltar para esse colégio. Tomai, vós, a direção desse colégio, e entrai com a bondade com que vós me tratáveis quando eu era menino. E como vós sois outra pessoa que ainda não foi ofendida, ou ao menos foi menos ofendida, não foi diretamente ofendida, vós podeis, em sã galhardia, retomar essa direção. Sede ainda melhor do que eu fui, porque eles se deixarão conquistar”. E ele se ausenta.
Então, o amor que essa mãe vai ter para com os meninos de certo modo é maior do que o dele. Na realidade é um extremo do amor dEle. Mas é, por algum lado, maior do que o dEle. É o amor dEla que Ele não poderia praticar Ele mesmo. E há nisso uma candura, uma bondade, um requinte, que depois de crucificado Ele dê a Mãe... Porque naquele “Mãe, eis aí o teu filho”, eu tenho impressão que Ele deu todo o gênero humano a Ela. “Olha aqui a Mãe...” E que Mãe! Que coisa fantástica! Quer dizer, uma coisa que não tem palavras.
Então, quando vem um dizer essas bobagens de que está levando o culto a Nossa Senhora mais longe do que o de Nosso Senhor, etc., não entenderam nada. Não percamos tempo!
Plinio Corrêa de Oliveira - 07/02/91

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Porta de misericórdia

Nossa Senhora concede às vezes graças de um modo tal que, na vida inteira, fica a alma marcada com fogo. É fogo do Céu, não da Terra e menos ainda do Inferno: a convicção de que podemos recorrer a Ela em circunstâncias mil vezes mais indefensáveis, e sempre Ela nos perdoará de novo, porque abriu para nós uma porta de misericórdia que ninguém fechará.

Plinio Corrêa de Oliveira

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Nossa Senhora do Suspiro

[…] Satanás, porque é orgulhoso, sofre incomparavelmente mais, por ser vencido e punido pela pequena e humilde escrava de Deus, cuja humildade o humilha mais do que o poder divino; segundo, porque Deus concedeu a Maria tão grande poder sobre os demônios, que, como muitas vezes se viram obrigados a confessar, pela boca dos possessos, infunde-lhes mais temor um só de seus suspiros por uma alma, que as orações de todos os santos […] 1
Um suspiro de Nossa Senhora por uma alma vale mais do que as orações de todos os anjos e todos os santos juntos. Quase que dá vontade a gente rezar a Nossa Senhora do Suspiro. Ai, minha Mãe, suspirai uma vez só por mim e eu serei salvo. ( Mons João Clá Dias)

1 São Luis M G de Monfort. Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Mãe da Divina Providência

O amor materno de Maria tem força regeneradora para elevar e santificar uma alma; Ela é a Medianeira das graças necessárias para a justificação daquele a quem Ela ama. Confiemos a todo instante em Nossa Senhora, lembrando-nos sempre de sua extrema meiguice para conosco, de sua compaixão para com as misérias de cada um de nós. Tenhamos presente que, na Salve Rainha, Nossa Senhora é chamada “Mãe de misericórdia”, e que o Lembrai-vos acentua a bondade d’Ela para com o pecador arrependido.
Sem nos compenetrarmos da misericórdia de Maria Santíssima, nada de bom faremos. Cultivando-a, nossa alma se cumula de confiança, de alegria e de ânimo. Tendo a Mãe da Divina Providência como nossa própria Mãe, nada nos deve abater. Ela tudo resolverá se, confiantes, implorarmos seu maternal socorro.

Plinio Corrêa de Oliveira – Extraído de conferência de 16/11/1965

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Coloquemo-nos nas mãos da Mãe Dolorosa


Ó Virgem Dolorosa, nós sabemos que juntamente com Vosso divino Filho Vós sofrestes as dores da Paixão. Vós sofrestes como Mãe, quase que na própria carne – porque mais dói a dor da alma do que a do próprio corpo. No caminho do Calvário, Vós encontrastes Jesus quando carregava a cruz às costas. Ó Mãe Santíssima, nós Vos pedimos graças super abundantes, graças eficazes, graças até místicas para bem realizar esta meditação e que ela de fato possa, de alguma forma, reparar o Vosso Sapiencial e Imaculado Coração por tantos crimes, tantos horrores e pecados que ocasionaram a Paixão de Vosso divino Filho. Hoje, ao considerardes esses crimes, blasfêmias, pecados, que vos recordeis das dores de Jesus e das vossas dores, em união com Ele.

Que essas dores penetrem em nossos corações e, cheios de arrependimento por nossas faltas, cheios de mágoa e ao mesmo tempo cheios de desejo de emenda para este mundo tão pecador, alcançai-nos a graça de compreender o quanto o pecado atrai sobre nós o castigo, e o quanto o pecado sem arrependimento atrai a cólera de Deus.
Mons João Clá Dias - Oração meditação primeiro sábado

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Oração a Nossa Senhora de Lourdes

Ó Maria, Vós aparecestes a Bernardete na cavidade de um rochedo.
No frio e nas sombras do inverno, Vós trazíeis o calor de vossa presença, a luz e a beleza.
No vazio de nossas vidas, tantas vezes obscuras, no fundo deste mundo no qual o mal é poderoso, trazei a esperança, restabelecei a confiança!
Vós, que sois a Imaculada Conceição, vinde em auxílio destes pecadores que somos nós.
Dai-nos a humildade da conversão, a coragem da penitência.
Ensinai-nos a rezar por todos os homens.
Guiai-nos até as fontes da verdadeira vida.
Fazei de nós peregrinos em marcha dentro de vossa Igreja.
Incrementai em nós a fome da Eucaristia, o alimento nesta terra, o pão da vida.
Em Vós, ó Maria, o Espírito Santo operou maravilhas: por seu poder, Ele vos colocou junto ao Pai, na glória de vosso Filho, vivo para sempre.
Considerai com ternura as misérias de nossos corpos e de nossos corações.
Brilhai para todos, como uma doce luz, na hora da morte.
Com Bernardete, recorremos a Vós, ó Maria, com a simplicidade de filhos.
Fazei-nos entrar, como ela, na eterna bem-aventurança.
Então poderemos, já nesta terra, começar a sentir a alegria do Céu e, convosco, cantar: Magnificat!
Glória a Vós, Virgem Maria, ditosa serva do Senhor, Mãe de Deus, morada do Espírito Santo! Amém!

(Traduzido da página web do Santuário, www.lourdes-france.org)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Perante à Lei de Deus


Ó Jesus, ó Maria, ó José, Vós que sendo tão perfeitos e imaculados, cumpristes com a Lei de Deus - na apresentação do Menino Jesus no Templo e na purificação de Maria - no momento em que não era necessário, mas era uma determinação da Providência e Vós levastes vossa submissão e vossa obediência até lá. Dai-me a graça de que seja arrancado de minha alma esse relativismo, por onde eu começo a desfazer e a desfigurar a Lei de Deus para poder me encaixar melhor dentro do pecado.
Arrancai essa maldita tendência de dentro de minha alma e ponde em minha alma aquele senso do absoluto, aquele senso da rigidez moral, aquele senso da Justiça de Deus. Senso que me levará na hora da minha morte a vos olhar e vos dizer:
– “Eu tive minhas debilidades, mas tomo aqui como testemunha a Jesus, a Maria e José como eu no fundo quis ser justo, quis ser perfeito”.
Mas não vou querer aproximar-me de Deus no dia da minha morte, tapeando-me a mim mesmo e tentando enganar o próprio Deus a respeito da Lei que Ele me deu.
A Lei que Ele me deu é justa, a Lei que Ele me deu é implacável, a Lei que Ele me deu é soberana, e eu devo respeitá-la.

Meu Jesus, minha Mãe, meu Patriarca, fazei-me outro face à Lei de Deus”.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Visitai-me, Senhora!

“Ó Senhora, que em nenhum instante tivestes a menor dúvida, o menor receio, o menor medo de dizer sim à vontade de Deus, vede a minha fraqueza. Quantas e quantas vezes eu estou sendo convidado pela graça a seguir este ou aquele caminho? Eu vos peço, Senhora, que sejais para comigo benévola como o fostes para com vossa prima Santa Isabel. Visitai-me, Senhora! Visitai-me, ponde em minha alma as disposições que são vossas e dai-me a graça de ser flexível em relação às inspirações que a graça puser em minha alma. Que eu jamais negue, como vós também nunca negastes, tudo aquilo que me for pedido”.
 Mons João Clá Dias – 21/10/1999

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

A apresentação do Menino Jesus no templo e a purificação de Maria

Mons. João Sconamiglio Clá Dias, EP

Meditação 

Sois a luz que brilhará nas trevas para os gentios e para a glória de Israel, o vosso povo - (Lc 2, 32).
- Meus olhos viram o Salvador, que preparastes, ó Deus, para todos os povos -. (Lc 2, 30s), exclamou o velho Simeão.

A Igreja comemora no dia 2 de fevereiro o duplo mistério da Apresentação de Jesus Cristo no templo e o da Purificação da Santíssima Virgem. Foi a oferta pública e solene de nosso divino Salvador, feita a Deus, no templo de Jerusalém, 40 dias depois de seu nascimento.
I - No Antigo Testamento...
A Lei Antiga continha dois preceitos relativos ao nascimento dos filhos primogênitos.
O primeiro prescrevia que a mãe se considerasse impura, e ficasse retirada em casa por quarenta dias, findos os quais devia ir ao templo purificar-se (Lv 12). Mandava o segundo que os pais do menino o levassem ao templo e ali o oferecessem a Deus (1); era a lei de Moisés, a qual mandava que todo o filho primogênito fosse oferecido ao Senhor (Ex 13, 2) e depois resgatado por cinco siclos de prata (Nm 18, 16), que equivalia a 20 dias de trabalho de São José.
Depois de Jesus ter nascido em Belém e de ter sido circuncidado oito dias após, Maria e José tiveram de cumprir esta dupla lei. Por quê toda família deveria cumprir estes ritos?
Esta norma da Apresentação era para lembrar aos Hebreus o prodígio acontecido em favor de seus pais, quando o Anjo exterminador feriu de morte, em uma noite, todos os primogênitos dos egípcios sem ferir os dos judeus. Foi a última das dez pragas que Deus enviou, devido à dureza do coração do Faraó, ao permanecer na decisão de não permitir a saída do povo judeu. Deus manda ao mesmo tempo, exigindo por meio de Moisés, que a partir daquela data todos os primogênitos deveriam ser entregues a Ele e depois resgatados por algum preço.
Enquanto que a purificação deveria ser feita pagando-se um tributo, que seria um cordeiro, ou se a família fosse pobre, duas rolas. Por isso que Maria sendo pobre, ofereceu ao Templo duas rolas.
Por que duas rolas? Uma era para cumprir a lei da purificação e a outra para uma oferta de holocausto.
Todos esses ritos parecem estranhos aos nossos olhos, mas Deus estabeleceu-os, por causa da dureza e rudeza daquela civilização basicamente campestre e pastoril.
1 - A lei da purificação
- Maria foi purificada - diz São Tomás - para dar exemplo de obediência e de humildade -
Essa Lei tinha sido imposta por Moisés, por inspiração divina, para as pessoas concebidas no pecado original. Ora, ali havia uma mãe sem pecado original e um Filho que vinha justamente para resgatar o pecado. Se nEla não havia mancha, nEle só havia luz! Eles podiam perfeitamente dispensar-se disso.
- Contudo, o que teria que ver as demais mães, a casta esposa do Espírito Santo, virgem na concepção de seu Filho, virgem no seu milagroso parto, sempre pura, e mais pura ainda depois de ter trazido no seu seio aquele Deus que é a mesma Pureza?(3)
- O parto virginal da Virgem preservara-a da menor sombra de impureza legal, e é evidente que Jesus não estava sujeito à Lei nem tinha que pagar nenhum resgate ou tributo, de quem estava isento por ser Filho de Deus, como Ele próprio dirá mais tarde a Pedro- (Mt 17, 24-27).(2)
Como Maria observa a lei da purificação?
- Maria e José abandonam a sua pobre casa de Belém, deliciosa habitação, onde tinham tão felizes dias, só com a roupa que tinham. O divino Menino Jesus nos braços de Maria ou de José. Mas, ó meu Jesus, que haverá de faltar, quem Vos possui, a felicidade eterna, Esplendor da glória do Pai?
- Põem-se a caminho de Jerusalém, cruzam com a gente que passa, sem prestar atenção, ao lado de uma família pobre, mas que não deixa por isso de se a primeira família do universo...
não estão preocupados com o que acham deles, se são estimados.
No céu, a Santíssima Trindade espera a mais digna oferenda, que as criaturas podiam dar-lhe!
A Santa Mãe de Deus se humilha...
-Apesar de sua augusta qualidade de Mãe de Deus, Maria para à porta do tabernáculo, como as outras mães de Israel, que não podiam entrar nele, antes de serem purificadas. Humilha-se diante do sacerdote, que ora por ela, como pelas outras; por ela é também oferecido o sacrifício de holocausto ou de adoração e o sacrifício pelo pecado. Vendo-a de joelhos, como se fosse uma penitente, no meio daquelas mulheres que precisavam fazer penitência; quem a tomaria pela Rainha dos Anjos e pela Santa Virgem das virgens?-
- Mas Deus conhece a sua pureza e isto lhe basta. Pouco importa a Nossa Senhora o que pensam dela os homens. Honra assim, a infinita Santidade do Senhor, em presença da qual toda a santidade das criaturas é menos que uma sombra -.
Quanta lição este mistério nos dá!?
a) Ensina-me a humilhar-me, a purificar-se cada vez que sou convidado a participar dos sacramentos, da celebração litúrgica.
b) Ensina-me a desprezar os juízos dos homens; eu sou o que sou diante de Deus; a opinião de meus semelhantes nada pode tirar-me nem dar-me.(3)
2 - A lei da Apresentação.
Eis que Maria se encaminha para Jerusalém a oferecer o Filho. Apressa os passos para o lugar do sacrifício, levando em seus braços a vítima tão amada.
E, depois que foram concluídos os dias da purificação de Maria, segundo a lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentarem ao Senhor.(Lc 2, 22-24)
Entra no templo, aproxima-se do altar, e ali, toda cheia de modéstia, humildade e devoção, apresenta o Filho ao Altíssimo. Mas a puríssima Virgem o ofereceu de um modo diferente do das outras mães. Essas ofereciam os filhos, mas sabiam que esta oblação era uma simples cerimônia da lei, de modo que por meio do resgate os tornavam seus, sem receio de tê-los de oferecer à morte. Maria, pelo contrário, ofereceu seu Filho à morte realmente ... Ela estava certa de que o sacrifício que então fazia da vida de Jesus, consumar-se-ia no altar da cruz.
Ora, amando vivamente seu Filho, sacrificou a si própria a Deus, ao oferecer a vida de Jesus.(1)
Ela puríssima, concebida sem a mancha original; e quem não tem mancha não tem o que reparar, não tem do que se purificar. Quanto a Ele, é Deus! Como oferecê-Lo a Deus, sendo Ele o próprio Deus! Embora essas leis não se aplicassem à Sagrada Família, no entanto, puseram-se a campo. Como sabemos, o Menino Jesus possuía inteligência divina e era desejo Seu que se cumprisse a lei conforme o costume, como veremos no decorrer da meditação.
II- A lição da Sagrada Família!
Estariam obrigados ao cumprimento dessas duas leis: o Menino Jesus, Maria e José?
No que diz respeito a lei de Deus, não há palavras que exprima a fidelidade deles.
Eles não estavam obrigados a cumprir esta lei. Eles obedeceram porque tinham devoção pela lei e para nos ensinar o quanto devemos cumprir com perfeição esta mesma lei.
Nossa Senhora, puríssima, concebida sem a mancha original; e quem não tem mancha não tem o que reparar, não tem do que se purificar. Quanto a Ele, é Deus! Como oferecê-Lo a Deus, sendo Ele o próprio Deus! Embora essas leis não se aplicassem à Sagrada Família, no entanto, puseram-se a campo.
Como sabemos, o Menino Jesus possuía inteligência divina e era desejo Seu que se cumprisse a lei conforme o costume.
Aplicação: lição para nós do quanto devemos levar a sério as leis divinas, pois, e se as leis dos homens devem ser cumpridas com exatidão, muito mais ainda as leis de Deus. E essas foram gravadas em nossos corações, desde o momento em que nossas almas foram criadas.
1- Convite ao amor à Lei de Deus.
Quando o primeiro Mandamento nos diz: amaras ao Senhor teu Deus com toda a inteligência, com toda da tua vontade, com toda a tua sensibilidade, acima de todas as coisas, essa lei está impressa e no fundo de nossos corações. E quando nos apegamos a esses ou aqueles objetos, a essas ou aquelas pessoas, quando damos mais importância a uma amizade do que ao próprio Deus e, pior ainda, quando essa amizade nos leva ao pecado - portanto, a ofender a Deus levando-nos a afastar Dele - estamos violando uma lei que está gravada no mais intimo de nossas almas e procedendo exatamente ao contrário da Sagrada Família no momento em que entram no Templo.
2 - O Santo Simeão.
Encontramos na cena da Apresentação no Templo um ancião, que diz o Evangelho: - Ora havia então em Jerusalém um homem, chamado Simeão, e este homem era justo e temente a Deus e esperava a consolação de Israel -. (Lc. 2 - 25).
Justo na linguagem da Escritura, significa santo, portanto perfeito e que procurava seguir a lei de Deus com exatidão.
Justo e temente a Deus. Bastaria ser justo, mas o Espírito Santo põe na pluma de São Lucas o elogio deste temor de Deus. Por quê?

Porque não basta só o amor, não basta a santidade, não basta o desejo de andar bem, é preciso que haja o temor. É por isso que o Espírito Santo pelos lábios de São Lucas, elogia o velho Simeão em seu amor e também em seu temor.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Minha Mãe, dai-me forças

 “Maria Santíssima, Rainha dos Céus e da terra, vós tendes à vossa disposição todos os anjos. Se vós quisésseis, vós teríeis mandado um anjo descer do Céu para aplainar aquele caminho até a casa de santa Isabel. Mais: vós teríeis mandado um anjo do Céu conduzir o burro no ar. Entretanto, vós quisestes passar por essas dificuldades todas para exemplo meu. Eu, na minha vida, encontro dificuldades e problemas, e vós quereis que eu passe por estes problemas como vós passastes por eles. Minha Mãe, dai-me forças de ser como vós”.

Mons João Clá Dias – 21/10/1999

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Comunhão: por meio de Maria

Imaginem o que deve ter sido o respeito e a adoração de uma mãe que carrega no seu claustro materno não um filho comum, mas o Criador de todo o universo.
Quantas vezes comunguei em minha vida... Eu, que tantas e tantas vezes recebi o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo em mim – que, portanto, fiz o papel de Nossa Senhora durante o período em que hóstia sagrada esteve em mim –, eu, que orações fiz a Nosso Senhor Jesus Cristo?
Não é verdade que eu devo reconhecer que estive muito aquém de tudo aquilo que seria necessário?
Não é verdade que eu deveria reconhecer que me falta tanto para ser verdadeiramente devoto do Santíssimo Sacramento e de estar à altura de receber Nosso Senhor Jesus Cristo?
Chego, então, a uma conclusão: que não há melhor meio, não há outra saída, senão a de eu pedir a Nossa Senhora que receba Nosso Senhor Jesus Cristo por mim, porque eu não sou digno.
Quando eu digo como o centurião romano: “Senhor, eu não sou digno que entreis em minha casa”, é porque eu não sou digno mesmo.
Mas Ele vem, Ele vai entrar, Ele vai se dar a mim, Ele vai viver aqui dentro.
Nesse caso, é preciso que eu diga:
“Minha Mãe, Vós O conduzistes com alegria para Ele, e com benefício enorme para vós. Dai de novo esta alegria a Nosso Senhor Jesus Cristo, estando em mim para recebê-Lo. Que Ele penetre em vós, mas que vós estejais em mim.
“E permiti, Senhora, que eu vos peça que as graças que Ele vos daria estando em vós, e que Ele vos dá estando em vós, que estas graças vós as dispenseis para este miserável servo vosso. Dai-me as graças que vós recebereis estando em mim e acolhendo ao vosso Divino Filho como O acolhestes na Encarnação”.
Eu vos peço, Senhora: que jamais eu receba uma só comunhão em toda a minha vida que não seja em união convosco e que vós estejais sempre em mim para recebê-Lo.

“Minha Mãe, que tudo seja para reparar o vosso Sapiencial e Imaculado Coração.”
Mons João Clá Dias - Meditação 2/10/1999

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Maria Santíssima é a Onipotência Suplicante


O poder de Nossa Senhora é tão grande que se exerce até sobre o próprio Deus! Por isso, os teólogos a glorificam com o título de Onipotência Suplicante. Parece haver, à primeira vista, uma contradição nos termos, pois quem suplica, nada pode. Ela porém, é de fato, a onipotência suplicante porque sua súplica pode tudo sobre Aquele que é onipotente. Desta maneira, Ela pode, praticamente, absolutamente tudo.
Essa doutrina da onipotência suplicante de Nossa Senhora não nos deve ficar como tiradas piedosas e ocas. É preciso que fique compreensível, razoável, como tudo que brota da razão com base na Fé. Devemos encontrar nesta ideia da onipotência de Nossa Senhora um substancioso alimento. Estas afirmações não devem ficar no vácuo: é preciso sabermos aplicá-las concretamente em nossa vida espiritual nas dificuldades, nos problemas, nas lutas; é preciso lembrarmo-nos de que Nossa Senhora é a onipotência suplicante e termos n'Ela uma confiança ilimitada.

Imaginemos, por exemplo, que Deus apareça à nossa mãe terrena e lhe dê a possibilidade de nos fazer todo o bem que quiser; ficaríamos, evidentemente, radiantes, pois tudo conseguiríamos facilmente. Ora, Nossa Senhora nos ama imensamente mais do que todas as mães terrenas reunidas amariam seu filho único; por isso, deveríamos ficar muito mais contentes em saber que Ela no Céu olha para nós, do que com a ideia de uma proteção eficacíssima de nossa mãe terrena.