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quarta-feira, 17 de maio de 2017

Aquele que excogitaste, Tu gerarás!

Segundo uma bela e tão razoável tradição, no momento em que a Santíssima Virgem, meditando na figura do Messias profetizado nas Sagradas Escrituras, completou a imagem que Ela deveria formar a respeito d’Ele, o Arcanjo São Gabriel Lhe apareceu.
Assim, a primeira tarefa de Nossa Senhora foi conceber em seu espírito como seria o Redentor.
Que santidade deveria ter a Virgem Maria para, com êxito, imaginar a fisionomia, o olhar, o timbre de voz, os gestos, o caminhar, o repouso do Filho de Deus!
E que alma era preciso ter para, depois disso, receber de Deus esta sentença: “Dedicaste a tua mente a desvendar este mistério, fizeste-o com tanto amor e tanto acerto que Eu Te digo: “Aquele que excogitaste, Tu gerarás!”
Prêmio maravilhoso, como nunca houve nem haverá igual na História!
Ele disse de Si mesmo àqueles que fossem fiéis: “Serei, Eu mesmo, a vossa recompensa demasiadamente grande” (cf. Gn 15, 1). Nosso Senhor Jesus Cristo é tão perfeito que até para Nossa Senhora Ele foi o prêmio demasiadamente grande.

Plinio Corrêa de Oliveira – Extraído de conferência de 2/2/1985

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Feliz Porta do Céu

Na hora bendita entre todas as horas, de um modo só conhecido por Deus, a Mulher bendita entre todas as mulheres, a Feliz Porta do Céu e sempre Virgem — como A exalta o cântico “Ave Maris Stella” — torna-Se, efetivamente, Mãe de Deus, pois a maternidade se completa quando Maria Santíssima dá ao mundo o Filho que Ela gerou.
Há uma belíssima música de Natal que canta de modo muito expressivo, como uma melodia vinda do alto: “Aparuit! Aparuit!” Afinal, apareceu na manjedoura o Verbo de Deus encarnado!

Plinio Corrêa de Oliveira – Extraído de conferência de 2/7/1995

quinta-feira, 31 de março de 2016

Hino de Santo Efrém à Virgem Maria

Deu-nos um fruto cheio de doçura
Convida-me a Virgem a cantar o mistério que contemplo com admiração. Dai-me, ó Filho de Deus, vosso admirável dom, pelo qual eu afine minha lira e consiga pintar a imagem toda bela da vossa bem-amada Mãe.
Permanecendo virgem, a Virgem Maria dá ao mundo seu Filho, amamenta Aquele que alimenta as nações, carrega em seu casto seio o sustentador do universo. Ela é Virgem e Mãe, que Lhe falta ser?
Santa de corpo e toda formosa de alma, pura de espírito, reta de inteligência, perfeita de sentimentos, casta, fiel, pura de coração, comprovada, Ela é cheia de todas as virtudes.
Rejubile-se em Maria toda a estirpe das virgens, pois uma dentre elas deu à luz Aquele que sustenta toda a criação, Aquele que libertou da servidão o gênero humano.
Em Maria encha-se de júbilo o velho Adão, ferido pela serpente. Dá-lhe Maria uma descendência que lhe permite esmagar a serpente maldita e o cura de sua mortal ferida.
Regozijem-se os sacerdotes na Virgem bendita. Ela deu ao mundo o Sacerdote eterno, que é ao mesmo tempo Vítima. Ele pôs fim ao antigo sacrifício, oferecendo-Se como a Vítima que aplaca o Pai.
Alegrem-se em Maria todos os profetas. N’Ela se cumpriram suas visões, realizaram-se suas profecias, confirmaram-se seus oráculos.
Exultem em Maria todos os patriarcas. Assim como recebeu a bênção que lhes fora prometida, da mesma maneira Ela os tornou perfeitos em seu Filho. Por Ele, com efeito, os profetas, os justos e os sacerdotes foram purificados.
Em lugar do amargo fruto colhido por Eva da árvore fatal, deu Maria aos homens um fruto cheio de doçura. E eis que o mundo inteiro se deleita com o fruto de Maria.
A Árvore da Vida, oculta no meio do Paraíso, cresceu em Maria e estendeu sua sombra sobre o universo, difundiu seus frutos tanto sobre os povos mais longínquos quanto sobre os mais próximos.
Maria teceu uma vestimenta de glória e a deu a nosso primeiro pai. Entre as árvores escondera ele sua nudez, e ei-lo agora ornado de pudor, de virtude e de beleza. Aquele cuja esposa havia derrubado, sua Filha o eleva; por Ela sustentado, ele se ergue como um herói.
Eva e a serpente armaram uma cilada e Adão nela caíra; Maria e seu régio Filho Se inclinaram e o tiraram do abismo.
A virginal videira produziu um cacho cujo saboroso vinho restitui aos aflitos a alegria. Em sua angústia, Eva e Adão provaram o vinho da vida e nele encontraram completo reconforto.

AMMAN, Emilie. Le dogme Catholique dans les Péres de l’Eglise; 2.ed. Paris: Gabriel Beauchesne, 1922, p.221-223.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Devoção à Nossa Senhora - Santo Antonio Maria Claret

domingo, 30 de junho de 2013

Em Maria a aliança de Deus com o mundo

Continuação dos comentários ao Pequeno Ofício da Imaculada Conceição


Em Maria, Deus cumpre sua promessa de aliança com o mundo

Ainda sobre essa luminosa prefigura da Virgem, comenta outro ilustre mariólogo:

“O arco que Deus fez aparecer entre as nuvens, para tranquilizar a seu servidor Noé e aos descendentes deste; para ser um fúlgido testemunho de sua reconciliação com o mundo, do pacto que Ele contraiu com toda carne vivendo sobre esta Terra; esse arco-íris, que não cintila senão de um brilho emprestado aos raios do sol, não é ele também uma tocante imagem de Maria, Mãe de Jesus, pela qual Deus cumpriu sua promessa, uma vez que d’Ela saiu Aquele em quem são abençoadas todas as nações?” 17


O arco-íris é, pois, gracioso símbolo de Nossa Senhora, “reconciliadora do Céu com a Terra. É Maria o instrumento da aliança entre Deus e os homens. Quando nossas iniquidades irritam ao Senhor e pedem vingança, a Santa Virgem intervém, e tão eficazmente, que Deus se deixa flectir e perdoa: Refugium peccatorum, ora pro nobis — Refúgio dos pecadores, rogai por nós!” 18

17) LE MULlER, Henry. Dela Très-Sainte Vierge d’aprés les Saintes Écritures et les Pères del’Église. Paris: Pilon, 1854. Vol. I.p. 77.
18) ROLLAND. La Reine du Paradis. 8. ed. Paris: Langres, 1910. Vol. I. p. 152.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Nossa Senhora, Rainha do Universo IV

Continuando os posts anteriores a respeito de Nossa Senhora, Rainha do Universo.

Como se terá entusiasmado o Coração de Nossa Senhora? Como seriam as labaredas do Coração dulcíssimo de Nossa Senhora, quando Godofredo de Bouillon e os dele saltaram por cima das muralhas de Jerusalém e entraram?
E vendo os missionários chegando num país onde não há Fé e que começam a pregar a Religião católica e ela começa a nascer? Anchieta e Nóbrega vêm ao Brasil e iniciam a pregação — estou falando do Brasil, mas poderia apresentar outros exemplos —; o País começa a nascer e a se mover. Mais bela do que a natureza mineral, a vegetal, a animal e do que o próprio homem, era a graça que vinha pelas mãos dos missionários e conduzia as pessoas para a vida sobrenatural.
Maria Santíssima percebeu que isto era mais pulcro do que tudo quanto se tinha passado anteriormente. Anchieta, ameaçado pelos índios, canta as glórias d’Ela, escrevendo em latim um poema e decorando-o. O mar não ousa tocar nas areias sobre as quais o texto estava redigido. Nossa Senhora sorri, vendo o filho bem-amado do qual nasceria a evangelização deste País.
Que labareda, talvez áurea ou azulada, sairia do Coração de Maria! E gotas de graças caindo! Já não é o dramático, o espetacular e o apocalíptico, mas outra forma de manifestação: o gracioso, o materno, o afável, o leitoso de certas pedras, o suave de alguns cristais, a brisa de auroras que havia no Coração d’Ela. Todas as modalidades possíveis de brisas que sopraram na Terra não têm o encanto de um só sorriso de Maria!
Ameaçado pelos índios, Beato Anchieta canta as glórias de Maria escrevendo um poema na areia. Nossa Senhora sorri, vendo o filho bem-amado do qual nasceria a evangelização do Brasil.
Quantos sorrisos Nossa Senhora dirigiu a Anchieta, que evangelizava este País!
A maternalidade de Maria Santíssima! O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus. O Homem-Deus é Filho d’Ela, e Nossa Senhora nos ama por causa disso. Quando sofremos, Ela tem pena de nós. Quanto isto é magnífico! Sobretudo quando pecamos, Ela tem compaixão de nós. E é mais magnífico ainda.
Porque, quando sofremos, o sofrimento não nos torna inimigos de Maria Santíssima. Até, pelo contrário, quebra em nossa alma certa auto-suficiência e tendência ao orgulho. Mas, quando pecamos, nós rompemos com Ela de um modo criminoso.
Nossa Senhora previu tudo isso quando estava na Terra e teve dor, porque Ela pensou: “Essa alma, maravilha criada por Deus, que meu Filho resgatou com aquelas gotas de Sangue incomparáveis que Eu vi florescerem n’Ele aos borbotões, agora vai se perder?” De modo semelhante ao gemido de Nosso Senhor: “Quae utilitas in sanguine meo? – Que utilidade tem o meu Sangue?”, Maria Santíssima diz: “Qual a utilidade do Sangue de meu Filho?”
Então Nossa Senhora pede a Jesus, pelo amor d’Ele ao pecador — o Redentor ama aquele que não O ama mais —, que lhe consiga a graça de atender ao que esta diz em sua alma: “Meu filho, converta-se! Meu filho, abra os olhos! Meu filho, tenha juízo! Meu filho, volte a ser meu!” E às vezes com insistências tão prementes que se diria que a alma está literalmente sitiada. Quantas doçuras cabem nisso! Quanto saber fazer! Quanta misericórdia e compreensão! Quanto esgueirar-se pelas anfractuosidades de uma alma, para se adaptar a tudo!
A participação d'Ela na Igreja Militante e na Igreja Penitente
Todas essas operações o Sapiencial e Imaculado Coração de Maria está fazendo no Céu e na Terra. Porque Nossa Senhora conhece, mais do que qualquer bem-aventurado, o que se passa em Deus, e Ela reage no suprassumo da elevação e da perfeição. E preside, dirige, rege tudo quanto sucede no Céu! Sabe o que se passa em todas as criaturas da Terra. Conhece a vida da Igreja Militante e, com esta intensidade, participa de tudo o que acontece.
Mais ainda, Ela conhece a Igreja Penitente e vê todas as dores no Purgatório.
Em tudo isto Nossa Senhora está continuamente presente, à maneira de uma brisa, um vulcão, um céu, um sol, um diamante, uma águia, uma pomba, um cordeiro, um leão. Ela é tudo! Muito mais do que tudo, Ela é a Virgem Maria, Mãe de Deus!  
Plinio Correa de Oliveira - Extraído de conferência de 24/11/1979

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Refúgio por excelência


Está na perfeição de Maria Santíssima ser um imenso, perene e contínuo refúgio para todos os seus filhos, de modo especial em relação aos pecadores, sejam eles quais forem, culpados de faltas leves ou graves. Tudo que diz respeito a Nossa Senhora é admirável, extraordinário, excedendo a nossa capacidade de cogitação. Assim também a sua disposição em amparar os que andaram mal, em perdoar pecados de tamanho inimaginável e ingratidões insondáveis, desde que a alma se volte para Ela e Lhe peça o maternal auxílio.

A Mãe de Deus pode cobrir tudo, proteger tudo, alcançar toda espécie de perdão para toda espécie de crime. Ela é, na verdade, o nosso refúgio por excelência