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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Como iniciar o Rosário

O modo ideal de começar a rezar o Rosário é oscular o Crucifixo, pedindo a Nossa Senhora que seja intermediária Nossa e que esse ósculo seja dado por intermédio d'Ela para ser grato a Ele. Depois, começamos as orações do Rosário em união com Maria e por intermédio de Maria, de maneira tal que toda a oração se faça por esta forma; os 3 terços do Rosário.

Plinio Corrêa de Oliveira - 10/03/1984

domingo, 16 de setembro de 2012

A devoção a Maria


A devoção a Maria não é um simples ornamento do Catolicismo, nem mesmo um socorro entre muitos outros, que podemos usar ou não, a nosso critério. É uma parte integrante da Religião. Deus quis vir a nós por meio de Maria, e só por meio d’Ela podemos ir a Ele.

Termômetro espiritual e garantia da salvação

Assim como, para certificar-se da vida de uma pessoa, o médico perscruta as batidas de seu coração, nós, para sabermos se uma alma é virtuosa, se ela vive da vida cristã, averiguamos se o culto à Santa Virgem das Virgens lhe é indiferente ou agradável.

Sim, a devoção a Maria é como um termômetro espiritual que marca — se assim podemos dizer — a temperatura de nossa alma, que revela suas disposições secretas. Se as práticas desta devoção nos agradam, podemos estar tranquilos quanto ao estado de nossa alma. Mas se sentimos que há frieza entre nós e a Santíssima Virgem, se abandonamos os atos de culto a Ela, se negligenciamos as orações cotidianas, se alegamos falta de tempo para recitar o Rosário, tenhamos cuidado: nossa virtude diminuiu, a fé de nossa Primeira Comunhão esvaiu-se, estamos no caminho que nos afasta de Deus!

Compreende-se, pois, a necessidade de insistir neste tema, de estimular a piedade e a devoção a Nossa Senhora. Para nós, esta devoção é uma garantia de salvação!

Como assim? É que, se amamos a Virgem Maria, trabalharemos para nos assemelhar a Ela. Somos irresistivelmente levados a imitar as pessoas que nos são simpáticas: quereríamos pensar, falar, viver como elas. Oh! Que preciosa segurança para nosso futuro se amarmos a Santíssima Virgem a ponto de querermos ser imagens vivas d’Ela na Terra! Como Ela, evitaremos tudo quanto desagrada a Deus e tudo quanto causaria prejuízo a nossas almas; como Ela, faremos todo bem, cumpriremos nosso dever, praticaremos a virtude. Com isso, podemos ter confiança.

Traduzido, com adaptações, de “L’Ami du Clergé”, 6/11/1902, p.862

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Nossa Senhora do Rosário

No dia 7 de Outubro celebra-se a festa de Nossa Senhora do Rosário, estabelecida pelo Papa São Pio V a fim de manifestar a jubilosa gratidão da Igreja para com a Santíssima Virgem, cuja solícita intercessão determinou a vitória da causa católica na batalha de Lepanto.
O Rosário “ocupa privilegiadíssimo papel na história da piedade católica. Em primeiro lugar, porque une o fiel a Nossa Senhora, e atrai para ele toda sorte de graças celestiais. Em segundo lugar, porque afugenta o demônio. Alguém que se sinta tentado, tome fervorosamente o Terço em suas mãos, e verseá forte contra a investida do inimigo de nossas almas.
“Excelente meio de venerar a Mãe de Deus, é incalculável a torrente de bênçãos que a recitação do Rosário efundiu sobre a Cristandade. Por isso, Papas e autoridades eclesiásticas não se cansam de elogiá-lo. Se tal não bastasse, a Santíssima Virgem, querendo Ela mesma incentivar essa inestimável devoção, mais de uma vez apareceu trazendo em suas mãos virginais o piedoso instrumento. De modo particular, nas aparições de Fátima, em Portugal, quando recomendou aos homens, com tocante insistência, a recitação diária do Terço. Além disso, a Igreja enriqueceu o Rosário com muitos privilégios e indulgências, inclusive plenárias, de maneira a fazer dele um verdadeiro tesouro de bênçãos inapreciáveis.
“A recitação do Rosário se dilatou de tal maneira que, durante muito tempo, identificou-se com a piedade católica: uma e outro eram a mesma coisa. Fosse nos atos quotidianos da vida espiritual, fosse nas festas e celebrações de maior significado, o Rosário — ou o Terço — sempre esteve presente como expressão do fervor das almas devotas.
“São Domingos recebeu da Rainha do Céu este mesmo Rosário cuja forma hoje conhecemos: começando pelo Crucifixo, que devemos oscular pedindo à Mãe de Deus que seja nossa intermediária e apresente a seu Filho nossas orações; em seguida, três Ave-marias, um Glória, e depois as cinco dezenas em que meditamos nos principais Mistérios da vida de Jesus e de Maria Santíssima — Gozosos, Luminosos, Dolorosos e Gloriosos.
“Ainda que rezado por almas mais frágeis, o Rosário é a prece dos fortes, é a súplica dos batalhadores, porque é um conjunto de orações de tal eficácia que faz avançar o bem e recuar o mal. A par das riquezas espirituais que encerra, temos a pluralidade dos feitios e coloridos com os quais é utilizado: rosários pequenos, graciosos, delicados, para crianças de trato; modestos e rústicos, mas fortes, dedilhados por mãos vigorosas que passam sobre aquelas contas; sério, varonil; rosários de princesas, de rainhas, lavorados como verdadeiras jóias, preciosos como esses que pendem das mãos das imagens de Nossa Senhora. Todos nos fazem ver algo da suavidade e da bondade régias de Maria, protetora dos débeis, amparo dos fortes, como foi o próprio São Domingos, enfrentando e vencendo com o Rosário a heresia albigense.”

sábado, 7 de maio de 2011

Nunca nos separemos do Rosário

São Domingos recebeu da Rainha do Céu este mesmo Rosário cuja forma hoje conhecemos: começando pelo Crucifixo, que devemos oscular pedindo à Mãe de Deus que seja nossa intermediária e apresente a seu Filho nossas orações; em seguida, um Padre-Nosso, três Ave-Maria, um Glória, e depois as cinco dezenas em que meditamos nos principais Mistérios da vida de Jesus e de Maria Santíssima — Gozosos, Luminosos, Dolorosos e Gloriosos.
É simplesmente incalculável a torrente de graças que se efundiu sobre a Igreja Católica com a prática de recitar assim o Rosário, de onde o número também imenso de papas e autoridades eclesiásticas elogiando essa devoção. Louvores estes coroados pelas diversas aparições de Nossa Senhora, nas quais Ela se apresenta com o Rosário em suas mãos virginais, especialmente nas visões de Fátima, em Portugal, quando recomendou aos homens, com tocante insistência, a recitação diária do terço. Além disso, a Igreja enriqueceu o Rosário com muitos privilégios e indulgências, inclusive plenárias, de maneira a fazer dele um verdadeiro tesouros de bênçãos inapreciáveis.
E não será mesmo demasiado insistir nesta verdade: o Rosário é, para o católico, uma magnífica arma de guerra, dessa guerra mais importante e superior que é a batalha espiritual presente na vida de todo homem. Essa guerra que travamos diariamente contra as tentações e as ciladas do demônio que procura perder nossas almas. Dessa guerra, portanto, em que lutamos para resistir às investidos do inimigo de nossa salvação, para expulsá-lo, para vencê-lo, e para deixar nossos corações dispostos a receberem as graças de Deus.
 O demônio tem ódio e horror ao Rosário, pois se este o põe em fuga é porque vem a ser um elo poderosíssimo que liga o homem a Nossa Senhora. E, portanto, se alguém se sente tentado, lembre-se de pegar logo o seu terço, e de pegá-lo fisicamente.
Melhor e mais recomendável: nunca, nunca, nunca nos separemos dele. De tal maneira que o tragamos conosco quando dormimos, quando descansamos; quando estivermos lendo ou fazendo toda e qualquer coisa, que o Rosário esteja sempre junto a nós. Mais ainda: durante o sono da noite, procuremos ter o Rosário nas mãos. E se recearmos que ele caia — e ele deve ser tratado com muita reverência — penduremo-lo ao pescoço ou no braço, ou arranjemos um outro modo de o conservar ligado ao nosso corpo. Jamais larguemos o Rosário. É mesmo um conselho que se diria supérfluo para os autênticos devotos de Nossa Senhora.
E quando nossas mãos não puderem mais nem se abrir nem se fechar, mas forem fechadas por outros para a nossa última atitude de oração, que o Rosário esteja enleado no meio de nossos dedos. De maneira que, chegado o momento da grandiosa ressurreição dos mortos, e dentro do caixão em que fomos sepultados o nosso corpo recobrar vida, entre nossos dedos revivificados esteja o santo Rosário.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A eficácia do Rosário

Nas situações aflitivas da Igreja

Se - como diz um São Luís Maria Grignion de Montfort ou um Santo Afonso Maria de Ligório - o Rosário é um poderoso meio para alcançar graças de santificação pessoal, auxílio para a salvação das almas, não é só no plano individual que ele se mostra eficaz. Também no nível dos povos e das nações, ele ganha um brilho especial nos momentos em que a Igreja está em aflitiva situação. Foi assim já no seu nascedouro, quando Nossa Senhora o recomendou a São Domingos de Gusmão.
No ano de 1214, a heresia dos maniqueus, ou albigenses, estava se espalhando por todo o Languedoc, região meridional da França, arrancando à Igreja Católica multidões de fiéis. A doutrina maniquéia não causava dano apenas no campo espiritual, mas estendia seus malefícios também a toda a sociedade temporal.
Uma cruzada da qual participaram cavaleiros de toda a Europa, não foi suficiente para estancar o mal. Como obter de Deus o fim dessa grave situação e a conversão daquele pobre povo?
O grande São Domingos - fundador da Ordem dos Irmãos Pregadores (os frades dominicanos) -mediu toda a extensão da tragédia e sentiu-se inspirado a intervir. Retirou-se para um local ermo, próximo de Tolosa (capital do Languedoc), onde passou três dias e três noites em oração e penitência, implorando ao Senhor que interviesse para salvar aquelas populações. Em conseqüência de seu esforço, acabou por cair desfalecido. E eis que então apareceu-lhe Maria Santíssima, resplandecente de glória, dizendo-lhe que, pelo Rosário, ele poderia ganhar para Deus “aqueles corações endurecidos.” E assim foi. Pregando essa devoção, São Domingos não só obteve numerosas conversões, como também uma grande mudança nos costumes religiosos e morais dos habitantes da região.
São Domingos mereceu passar para a História como o primeiro grande pregador do santo Rosário e, praticamente, seu instituidor.

Na batalha de Lepanto

Mas não só nos tormentos da Idade Média ficou provada a eficácia do Rosário. No século XVI vamos novamente encontrar Maria defendendo, por meio dele, seus filhos. Em 1571, os turcos maometanos devastavam os Bálcãs, e sua enorme frota de guerra espalhava o terror no mar Mediterrâneo. Uma invasão da Europa ocidental estava iminente, e o único modo de evitá-la seria quebrar o poderio naval islamita.
Era urgente formar uma aliança dos príncipes católicos e armar uma esquadra capaz de fazer frente ao inimigo da Fé cristã. Com este objetivo, o Papa São Pio V fez o que pôde nos terrenos diplomático, logístico e militar. Mas pôs sua confiança sobretudo na intervenção da Auxiliadora dos Cristãos, à qual recorria por meio do Rosário, levando os outros a imitá-lo.
No dia 7 de outubro daquele ano, ao largo do Estreito de Lepanto, no litoral grego, travou-se a maior batalha naval da História até então. A esquadra católica, composta de pouco mais de 200 navios e 80 mil combatentes, colocada sob a proteção de Nossa Senhora do Rosário, derrotou de modo fragoroso a frota maometana, entretanto mais poderosa que a cristã. Graças a essa vitória, ficou afastada de uma vez por todas a ameaça turca.
Desejoso de reconhecer e agradecer o decisivo auxílio de Maria nessa batalha, o senado veneziano mandou colocar no Palácio dos Doges um quadro comemorativo, com a inscrição: ‘Non virtus, non arma, non duces, sed Maria Rosarii, victores nos fecit.’ Não foi o valor, nem as armas, nem os chefes, mas sim a Senhora do Rosário que nos tornou vitoriosos.

Na França do século XVIII

No século seguinte, vamos encontrar a Virgem do Rosário auxiliando um de seus mais ardorosos e eminentes devotos, São Luís Maria Grignion de Montfort, noutra difícil situação para a Igreja.
A sociedade francesa achava-se minada em suas bases pelo iluminismo, pelo indiferentismo religioso e por um lamentável afrouxamento dos costumes, sobretudo nas classes superiores. Para agravar o quadro, espalhava-se pela França o jansenismo, astuta heresia que apresentava de maneira deformada a doutrina católica, evitando atacá-la de frente, com o que tornava difícil sua refutação. Pregando uma ardente devoção a Nossa Senhora e incentivando a oração diária do Rosário, São Luís Grignion conseguiu transformar a Bretanha e a Vandéia (províncias do oeste da França), em regiões ardorosamente católicas, a tal ponto que, dois séculos após, foram essas duas províncias as que maior resistência opuseram ao assalto das tropas anticlericais da Revolução Francesa.

Em Fátima

Não é possível falar do Rosário sem mencionar com destaque as aparições em Fátima. Pois ali Nossa Senhora recomendou com particular empenho essa devoção.
Na primeira aparição, a 13 de maio de 1917, aconselhou aos três videntes que rezassem diariamente o Terço para pedir o fim da guerra e a paz do mundo. Renovou com insistência, na segunda e na terceira aparições, a recomendação de rezar o Terço todos os dias.
E no dia 13 de setembro, a Virgem Santíssima insistiu mais uma vez na necessidade da recitação diária do Terço, como meio de alcançar o fim da guerra mundial que ensangüentava o mundo.
Foi somente na última aparição, em 13 de outubro, que Nossa Senhora consentiu em revelar sua identidade às três crianças, utilizando estas simples palavras: “Eu sou a Senhora do Rosário.” Não poderia haver maior prova de apreço da Mãe de Deus por essa devoção.

Em pleno século XX

Mais perto de nós, encontramos outra demonstração da eficácia do Rosário.
Assim como o restante da Europa centro-oriental, também a Áustria fora ocupada pelas tropas soviéticas, ao término da 2ª Guerra Mundial. Angustiados pela probabilidade de perderem sua independência no domínio comunista, os austríacos se voltaram filialmente para Nossa Senhora.
Um franciscano, frei Petrus Pavlicek, formou a -Cruzada Reparadora do Rosário pela Paz no Mundo- e passou a organizar grandes procissões anuais em honra do Nome de Maria. Sempre com a participação de milhares de pessoas, cada uma dessas procissões seguia pelas ruas do centro de Viena, rogando pela libertação do país. Um movimento geral de entusiasmo pelo Rosário percorreu toda a nação, e uma torrente de preces jorrou sobre as portas do Céu. E então aconteceu o milagre: pouco após a Páscoa de 1955, o governo moscovita retirou suas tropas da Áustria.
O país inteiro acorreu para agradecer a maternal proteção da Santíssima Virgem, destacando-se a grande solenidade no dia 10 de setembro, festa do Nome de Maria, ocasião em que o Ministro das Relações Exteriores declarou: “Todos nós que aqui estamos hoje reunidos e que com humildade, mas também com ufania, nos declaramos católicos, pudemos conhecer o poder da oração. (...) Nossas orações foram nossas armas e nossa fortaleza. (...) Ganhamos a liberdade! Oh! Maria! nós vos agradecemos.”
Paz no mundo e nas famílias
Se o mundo de hoje está submerso num oceano de males e exposto a perigos que o rondam de todos os lados, isto não se deve tão-só às disputas econômicas e políticas, mas principalmente a uma grave crise moral e religiosa. É dela que surgem as angústias, as incertezas, a desorientação generalizada. Contudo, assim como nas situações críticas anteriores, a solução está ao alcance de nossas mãos… e de nossos corações: a devoção do Santo Rosário. Daí o empenho do saudoso Papa João Paulo II em incentivar essa devoção.
“No início de um Milênio que começou com as cenas assustadoras do atentado de 11 de setembro de 2001” -, diz o Santo Padre na Carta Apostólica – “e que registra, cada dia, em tantas partes do mundo, novas situações de sangue e violência, descobrir novamente o Rosário significa mergulhar na contemplação do mistério d.Aquele que ‘é a nossa paz’, tendo feito ‘de dois povos um só, destruindo o muro da inimizade que os separava’ (Ef 2, 14)”.
Depois de ressaltar que deseja confiar a causa da paz à oração do Rosário, o Papa exprime sua paternal aflição: “Pouco valem as tentativas da política, se as almas continuam exacerbadas e não são capazes de um novo olhar do coração.” E indaga: “Quem pode, porém, infundir tais sentimentos, senão o próprio Deus? .... Exatamente nessa perspectiva, o Rosário se revela uma oração particularmente indicada.” Falta a paz, hoje em dia, não somente entre as nações, mas, muitas vezes, até no recinto do lar. “Quanta paz estaria assegurada nas relações familiares, se fosse retomada a recitação do Santo Rosário em família!”- exclamou o Papa na audiência de 29 de setembro de 2002, quando anunciou o Ano do Rosário. E na citada Carta Apostólica ele alerta: “A família, célula da sociedade, está cada vez mais ameaçada por forças desagregadoras a nível ideológico e prático, que fazem temer pelo futuro dessa instituição fundamental e imprescindível e, conseqüentemente, pela sorte da sociedade inteira.”

Para sanar esse mal, que remédio aconselha o Vigário de Cristo?

Ao final da catequese da Audiência Geral, o Papa Bento XVI afirma que "o Rosário é uma oração especial da Igreja e uma arma espiritual para cada um de nós. A meditação da vida de Jesus e Maria seja para todos nós luz sobre o caminho evangélico da renovação espiritual e da conversão do coração". E convidou os jovens a fazerem do Rosário sua oração de cada dia. Aos doentes, animou-os a crescer, graças à oração do Rosário, no abandono confiante às mãos de Deus. E exortou os esposos recém-casados a fazerem do Rosário uma constante contemplação dos mistérios de Cristo.