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domingo, 4 de setembro de 2016

Eu fiz nascer no Céu a luz que não se apaga

Continuação dos comentários ao Pequeno Ofício de Nossa Senhora
A primeira das criaturas em dignidade
E São Tomás de Villanueva assim escreve:
“Na Virgem podem ter cumprimento as palavras do Eclesiástico: «Eu fiz com que nascesse nos Céus uma luz inextinguível»
“Três São as condições da luz. Antes de tudo, o ser a primeira das criaturas: «No princípio criou Deus o céu e a terra. A terra, porém, estava informe e vazia, e as trevas cobriam a face do abismo e o Espírito de Deus movia-se sobre as águas. E Deus disse: Exista a luz.»
A Santíssima Virgem é a primeira na dignidade disse Santo Anselmo: «Nada há igual a Vós, Ó Senhora! Nada que se Vos possa comparar; pois tudo o que existe, ou está sobre Vós, é Deus, ou sob Vós, tudo o que não é Deus». E São Tomás [de Aquino]: «Tem em si certa infinitude» [...]
“Como o Anjo e Adão foram criados em graça, assim a Virgem foi concebida em graça. [...][Porém], o Anjo e Adão caíram E por isso se disse: «Eu fui criada desde o princípio e antes dos séculos e não deixarei de existir em toda a sucessão das idades»; porque a Virgem sempre conservou intacta a graça que desde o Princípio recebeu, sem perdê-la pelo pecado […]
A mais formosa das criaturas corporais
“Segunda condição da luz. É a mais formosa das criaturas corporais, porque sem ela nada este de belo, mas tudo é odioso.
“Disse São Bernardo: «Tira o sol, e que resta senão trevas? Tira a Maria, e que existe senão escuridão e cegueira de espírito?» Voz do Esposo: «Quão formosa sois, amiga minha, quão formosa sois»! Formosa com a beleza da inocência, formosa com a beleza da graça; formos a no corpo, no espírito, esta Virgem real foi adornada como que com pérolas e estrelas, com estas excelentes perfeições […]
Universal benevolência

“Terceira condição da luz. É universal, a tudo enche, disse Santo Ambrósio no Hexameron A Virgem não foi feita com peso e medida determinados. Deu a todos e a tudo encheu; e como o Sol de Justiça, Cristo, nosso Deus, faz brilhar sua luz sobre os bons e os maus, assim esta luz inextinguível, a Virgem Sacratíssima refletindo os raios da divina misericórdia, oferece a todos, sem distinção, suas graças e sua clemência, e se compadece com universal afeto das necessidade todos”. 

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Maria: Luz que excede em claridade a todos os Santos

 Continuação dos comentários ao Pequeno Ofício de Nossa Senhora
Eu fiz nascer no Céu a luz que não se apaga
Em seus renomados sermões marianos, São Boaventura ensina que, “comparada à luz da Sabedoria divina, Maria avantaja em claridade às demais criaturas, porque assim como aquela está sobre todos os seres criados quanto à iluminação que lhes dá, [...] assim esta Virgem, esclarecida mais que todos os Santos por dita Sabedoria, com seus piedosos rogos iluminou, pela luz da graça, mais do que ninguém, a todo o mundo.
“Por isso se escreve no capítulo XIII de Tobias: «Brilharás com luz resplandecente e serás adorada em todos os rincões da Terra», como se dissesse: Tu, santa, brilharás com a luz resplandecente da Sabedoria Eterna, ou seja, obterás para os outros o esplendor da graça. [...]
Luz que não se apaga
“Ademais, comparada com a Luz eterna, avantaja em sabedoria às outras criaturas, porque assim como a Luz divina sobrepuja à criação inteira, quanto ao governo e direção de tudo o que existe, [...] assim também a Bem-aventurada Virgem está acima de todas as coisas neste particular; e por isso se diz no capítulo VII do Livro da Sabedoria:

«Resolvi-me a tê-la por luz, porque a sua claridade é inextinguível». [...] A luz dos outros Santos, homens ou mulheres, se apaga com frequência, e por isso é perigoso segui-la, pois quando se acredita seguir a luz, segue-se as trevas. Porém, a luz desta Virgem se fez inextinguível pela [sua] confirmação em graça; e, mais ainda, a Ela mesma se deve o não se apagar nos outros a luz da graça, segundo se lê no capítulo XXIV do Eclesiástico: «Eu fiz nascer nos céus a luz que não se apaga». Pois «quem a segue, não anda em trevas, mas terá a luz da vida», que nunca fenece” 1.
1 BOAVENTURA. Obras Completas. Madrid: BAC, 1947. Vol. IV p. 867; 869; 905 e 907.